🇦🇷 AR · Argentina · Capítulo 7 de 10
O Rock Nacional dos Anos 90: A Década que Multiplicou Tudo (1990–2001)
Os anos noventa foram para o rock argentino o que os anos sessenta foram para o rock inglês: o momento em que tudo se multiplicou ao mesmo tempo. Os artistas que haviam construído suas carreiras nos anos oitenta chegaram ao seu auge criativo. Uma nova geração irrompeu com uma energia diferente. Os estádios substituíram os teatros. E o rock argentino cruzou definitivamente o Río de la Plata para se tornar o som de toda a América Latina.
A democracia tinha dez anos. A hiperinflação havia dizimado a classe média em 1989. O menemismo transformava tudo em dinheiro. E nesse contexto de caos econômico e fascinação consumista, o rock argentino produziu alguns de seus discos mais importantes.
Fito Páez: O Amor que Vendeu um Milhão
Rodolfo Páez BaladaFito Páez — nasceu em 13 de março de 1963, em Rosario. Ele cresceu com uma história pessoal marcada pela tragédia — sua mãe, avó e tia-avó foram assassinadas quando ele tinha dezesseis anos — e essa experiência precoce de dor é ouvida em toda a sua música: a urgência de viver de quem sabe que a vida pode acabar a qualquer momento.
Em 1992, com vinte e nove anos e seis álbuns já lançados, Fito Páez lançou o álbum que mudaria tudo: O Amor Depois do Amor.
O álbum foi lançado em 1º de junho de 1992 e é o álbum de rock argentino mais vendido da história, com mais de um milhão de cópias vendidas. Fito Páez convidou músicos de primeira linha: Luis Alberto Spinetta, Charly García, Andrés Calamaro, Mercedes Sosa, Gustavo Cerati, Fabiana Cantilo.
O que Fito fez foi algo que nenhum artista do rock argentino havia conseguido antes: construir um álbum que soava simultaneamente íntimo e massivo, pessoal e universal, com a produção de um disco pop de rádio e a profundidade emocional de um diário pessoal. Quatorze músicas, dez das quais foram lançadas como singles.
"O Amor Depois do Amor"Ouvir — a faixa-título, é a declaração de amor mais direta que Páez havia escrito: o redescobrimento do amor após uma separação, inspirado no início de seu relacionamento com a atriz Cecilia Roth.
"Tumbas da Glória"Ouvir — foi seu olhar mais sombrio sobre o período Menem: a Argentina enterrando seus sonhos nos brilhos do consumo.
"Um Vestido e um Amor"Ouvir — foi o hit mais radiofônico: três minutos de pop perfeito que tocavam em todos os carros da Argentina no verão de 1992.
Los Redonditos de Ricota: A Maior Banda Sem Televisão
Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota são provavelmente a banda de rock mais extraordinária que a Argentina produziu, por uma razão específica: eles se tornaram o maior fenômeno de massa do rock argentino sem nunca terem aparecido na televisão, sem nunca terem dependido de uma gravadora multinacional.
A banda foi formada em La Plata em 1976 e foi composta na maior parte de sua carreira por Indio Solari (voz e composição), Skay Beilinson (guitarra e composição), Semilla Bucciarelli (baixo), Walter Sidotti (bateria) e Sergio Dawi (saxofone, harmônica e piano).
O segredo de sua música reside no tandem Solari-Beilinson: o primeiro escrevendo letras memoráveis e cantando-as de uma maneira tão única quanto precisa; o segundo, fornecendo texturas, fogo e rock and roll com um estilo de tocar guitarra que lembra tanto Hendrix quanto The Edge.
Oktubre (1986) — foi o álbum que os lançou à popularidade em massa: um álbum basicamente político — o título Oktubre com k e um b invertido que remete ao cirílico — com músicas como "Jijiji"Ouvir — que se tornaram hinos de uma geração.
Nos anos noventa, Los Redondos lotaram estádios e depois aeródromos onde podiam se concentrar cento e cinquenta mil pessoas, depois duzentas mil. Alguns shows do Indio Solari registraram até meio milhão de pessoas.
A banda nunca anunciou oficialmente sua separação — simplesmente parou de tocar em 2001. Essa indefinição também faz parte de sua mitologia: Los Redondos não terminaram, apenas pararam.
Andrés Calamaro: O Poeta do Excesso
Andrés Calamaro — nascido em Buenos Aires em 22 de agosto de 1961 — foi um dos fundadores de Los Abuelos de la Nada nos anos oitenta e depois se mudou para a Espanha, onde formou Los Rodríguez.
Sua obra mais importante foi como solista: Honestidad Brutal (1999) — o álbum triplo gravado em Madri durante um dos períodos mais caóticos de sua vida pessoal, com canções que descreviam o excesso, a obsessão amorosa e o desgaste existencial com uma honestidade que o título prometia e a música cumpria.
"Flaca"Ouvir — foi sua canção mais popular: a descrição do amor obsessivo em termos físicos, com aquela mistura de ternura e urgência que define o melhor pop romântico em espanhol.
A Geração dos Estádios
Os anos noventa também produziram a primeira geração de bandas de rock argentino que lotaram estádios desde o início de suas carreiras.
DivididosRicardo Mollo, Diego Arnedo e Federico Gil Solá — foram a banda de rock mais poderosa e socialmente comprometida: seu rock misturava blues, folclore argentino e hard rock com letras que descreviam a Argentina da crise com a precisão de um jornalista e a raiva de um artista. "La bestia pop" — — foi sua declaração mais direta contra o menemismo.
Los PiojosAndrés Ciro Martínez e companhia — misturaram rock com reggae e folclore com uma energia festiva que os tornou a banda mais querida pela classe trabalhadora argentina dos anos noventa.
Bersuit Vergarabat — com Gustavo Cordera — foram os mais irreverentes: sua mistura de cumbia, ska, rock e poesia crítica produzia canções que faziam rir e pensar ao mesmo tempo. "Sr. Cobranza" — — foi sua denúncia mais direta do sistema financeiro que afundaria a Argentina em 2001.
O Fim da Década: Crise e Transformação
Em 20 de dezembro de 2001, a Argentina viveu a maior crise econômica e política de sua história moderna: o congelamento bancário, a renúncia de cinco presidentes em duas semanas, as panelas batendo nas ruas, as mortes durante os protestos.
O rock argentino respondeu com a imediatidade que sempre caracterizou sua relação com a realidade: nos meses seguintes, dezenas de canções descreveram a crise por dentro, com a raiva e a confusão de quem a estava vivendo enquanto tentava nomeá-la.
Nota editorial: Los Redonditos de Ricota nunca apareceram na televisão, nunca assinaram com uma multinacional, nunca fizeram publicidade de seus discos na mídia de massa. E encheram aeródromos com duzentas mil pessoas. Esse fenômeno — a maior banda do rock argentino construída completamente à margem do sistema que supostamente decide o que é popular e o que não é — é a demonstração mais perfeita de que o público tem uma inteligência própria que a indústria cultural frequentemente subestima. Os fãs não precisavam que a televisão lhes dissesse que Los Redondos eram grandes. Eles já sabiam disso. E a televisão nunca os viu chegar.
10 · 4 en DoReSol
Top 10 do Rock Nacional: Os Anos 90
El Amor Después del Amor (álbum)
Fito Páez · 1992
O álbum de rock argentino mais vendido da história. Um milhão de cópias. A síntese de toda uma geração em um único objeto artístico.
Oktubre (álbum)
Los Redonditos de Ricota · 1986
O álbum mais emblemático dos Los Redondos. O rock político mais sofisticado do underground tornando-se um fenômeno de massa sem pedir licença.
Jijiji
Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota · 1986
O hino mais cantado dos Los Redondos. O riff de Skay Beilinson que meio milhão de pessoas entoaram em aeródromos de todo o país.

Flaca
Andrés Calamaro · 1997
O pop romântico em espanhol na sua versão mais honesta. A obsessão amorosa descrita com ternura e urgência irresistível.

Tumbas de la Gloria
Fito Páez · 1992
O olhar mais sombrio de Páez sobre o menemismo. A Argentina que enterrava seus sonhos nos brilhos do consumo.
La bestia pop
Divididos · 1993
A denúncia mais direta do rock argentino dos anos noventa contra a cultura do espetáculo vazio.
Honestidad Brutal (álbum)
Andrés Calamaro · 1999
O álbum triplo do excesso e da lucidez simultâneos. Calamaro descrevendo seu próprio caos com a honestidade que o título prometia.

Un vestido y un amor
Fito Páez · 1992
O hit mais radiofônico do álbum mais vendido. Pop perfeito que tocava em todos os carros da Argentina no verão de 1992.
Sr. Cobrança
Bersuit Vergarabat · 1998
A denúncia do sistema financeiro que afundaria a Argentina em 2001, cantada com o humor negro de quem já via o que estava por vir.
Um Pouco de Amor Francês
Los Redonditos de Ricota · 1991
Indio Solari em sua versão mais romântica e mais sombria ao mesmo tempo.
4 canciones · en DoReSol
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El amor después del amor
Fito Páez · 1992

Flaca
Andrés Calamaro · 1997
Jijiji
Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota · 1986

Tumbas de la Gloria
Fito Páez · 1992
A série completa
Argentina
Tango, rock nacional e folclore — o som de um país que se conta a si mesmo.
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CAP 01
🇦🇷 Cap 01
As Raízes: Os Três Mundos Que Fizeram uma Música (séculos XV–XIX)
Argentina é o oitavo país mais grande do mundo: 2.780.400 quilômetros quadrados que se estendem da selva subtropical do norte aos canais patagônicos do sul, dos Andes no oeste às p
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CAP 02
🇦🇷 Cap 02
O Tango: A Música que Buenos Aires Deu ao Mundo (1880–1955)
O tango não nasceu nos salões elegantes de Buenos Aires nem nos teatros do centro. Nasceu nos arrabaldes — os bairros periféricos onde se misturavam os imigrantes europeus recém-ch
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CAP 03
🇦🇷 Cap 03
O Tango Moderno: Piazzolla e a Revolução que Ninguém Perdoou (1955–1992)
Há artistas que fazem bem o que já existe. E há artistas que destroem o que existe para construir algo novo sobre as ruínas. **Astor Piazzolla** pertence à segunda categoria — e pa
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CAP 04
🇦🇷 Cap 04
O Folclore: A Voz da Argentina Profunda (1930–1990)
O tango era Buenos Aires: o porto, o cortiço, a periferia, a cidade que olhava para a Europa com nostalgia. O folclore era todo o resto: o noroeste andino com suas quebradas e suas
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CAP 05
🇦🇷 Cap 05
O Rock Nacional Fundacional: La Balsa, o Flaco e o Blues do Bajo Belgrano (1966–1973)
Em meados dos anos sessenta, o rock que tocava na Argentina era rock em inglês: bandas que copiavam os Beatles, os Rolling Stones, os Animals, com a mesma atitude com que os roquei
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CAP 06
🇦🇷 Cap 06
O Rock Nacional dos Anos 80: A Música que Sobreviveu à Ditadura (1976–1989)
Em 24 de março de 1976, um golpe de Estado instalou a ditadura mais brutal da história da Argentina: o **Processo de Reorganização Nacional**, que durante sete anos desapareceu com
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🇦🇷 Cap 07
O Rock Nacional dos Anos 90: A Década que Multiplicou Tudo (1990–2001)
Os anos noventa foram para o rock argentino o que os anos sessenta foram para o rock inglês: o momento em que tudo se multiplicou ao mesmo tempo. Os artistas que haviam construído
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CAP 08
🇦🇷 Cap 08
Cumbia e Cuarteto: Tunga-Tunga e as Vilas (1940–hoje)
Durante décadas, a cumbia e o cuarteto foram a música que Buenos Aires ignorava. Tocavam nos clubes de bairro, nas favelas, nos galpões da periferia onde dançavam as pessoas que os
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CAP 09
🇦🇷 Cap 09
O Pop e o Indie: A Geração da Tela e do Coração (2001–2020)
Em 20 de dezembro de 2001, a Argentina caiu. O sistema bancário colapsou, a classe média perdeu suas economias, cinco presidentes renunciaram em duas semanas e as pessoas foram às
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CAP 10
🇦🇷 Cap 10
Trap e Reggaeton: A Geração Global (2015–hoje)
Em janeiro de 2023, uma música produzida em um estúdio em Ramos Mejía — um distrito da Grande Buenos Aires onde ninguém teria procurado o centro da música global — tornou-se número
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