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🇵🇾 Paraguai · 1904 — presente

José Asunción Flores

Se você escuta uma guarania e sente que a música paraguaia respira por suas notas, provavelmente está diante de uma criação de José Asunción Flores. Este músico não apenas inventou um gênero, mas deu voz a uma identidade: tempos que se arrastam como o vento no Chaco, melodias que se entrelaçam com a letra e um som que cheira a terra molhada e a histórias contadas sob a lua. Flores não partiu do zero; pegou os ritmos que já existiam em sua Assunção natal — como aquele Mba'érepa reikuaase que ecoava em feiras e mercados — e os estendeu até criar algo novo. Não foi uma mudança brusca, mas um trabalho de anos: em 1924, já experimentava estruturas, testando como um acento aqui ou um silêncio ali podiam transformar uma canção tradicional em algo mais profundo, mais seu. Aquele ano marcou o início do que depois chamariam de guarania, um estilo que não buscava velocidade nem virtuosismo, mas emoção contida e um ritmo que lateja como um coração cansado.

A passagem do experimental ao reconhecido veio rápido. Em janeiro de 1925, estreou Jejui no Hotel Cosmos — hoje Asunción Palace Hotel — e, embora o público não soubesse que estava presenciando o nascimento de um gênero, algo naquelaquelas notas os tocou. No ano seguinte, em 1926, duas de suas obras foram apresentadas no Teatro Nacional: Arribeño resay — com letra de Rigoberto Fontao Meza — e Ñasaindýpe, com versos de Félix Fernández. A resposta foi boa, mas faltava algo: a poesia. Foi então que entrou Manuel Ortiz Guerrero, um poeta que entendeu que a guarania não era apenas música, mas palavras que se arrastam como o Paraguai na memória. Juntos, formaram um repertório fundamental: India, Kerasy, Panambi vera, entre outras. Cada uma era um pedaço de seu país, mas também um desafio técnico: como fazer um trombone — o instrumento que dominava desde sua passagem pela Banda de Música da Polícia — soar como uma voz humana.

1900s
1 Álbuns
9 Músicas
196 Ouvintes/mês

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1 álbum · 2009

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Mais sobre José Asunción Flores

Biografia

A guerra o afastou de sua oficina. Em 1932, com o país em conflito durante a Guerra do Chaco, Flores alistou-se no Exército Paraguaio e terminou disparando metralhadoras em Boquerón. Não há registros de que tenha composto ali, mas aquele ano marcou uma ruptura: após a frente de batalha, exilou-se em Buenos Aires. Dali, a guarania deixou de ser um som local para se tornar regional. Dirigiu a Orquesta Ortiz Guerrero, gravou discos com a Odeón e levou sua música a rádios e teatros. Até em Moscou deixou sua marca: nos anos 1940, registrou parte de sua obra com músicos soviéticos, como se a guarania precisasse cruzar oceanos para ser compreendida. Mas nem tudo foi sucesso. Sua proximidade com o Partido Comunista Paraguaio o pôs sob os holofotes, e o exílio tornou-se constante. Mesmo assim, em 1944, o governo paraguaio declarou India «canção nacional», um reconhecimento tardio, mas definitivo. Flores continuou compondo até o fim, inclusive incursões na música sinfônica, como se sua curiosidade não tivesse limites. Morreu em Buenos Aires em 1972, mas sua guarania segue viva: não soa como um hino, mas como um sussurro que lembra que a música também pode ser um país.

Dados

Nascimento
27 ago 1904
País
🇵🇾 Paraguai

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