Acordes em preparação
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A história por trás
Sinàn Capudàn Pascià, segundo o DoReSol
Sinàn Capudàn Pascià soa como uma viagem no tempo, mas não uma viagem qualquer: é uma viagem em genovês antigo, misturado com o ar salgado do Mediterrâneo. A canção não conta uma história qualquer, mas a de um almirante otomano que, segundo a tradição, terminou seus dias num convento em Gênova após desertar de seu império. O mais chamativo não é apenas o tema, mas como Fabrizio De André a canta: com uma voz que parece sair de um navio do século XVI, arrastando palavras que soam a comércio, traição e ondas quebrando no porto. O genovês aqui não é um capricho, é o idioma que melhor sabe contar essas histórias de poder e queda, onde cada estrofe cheira a salitre e a tinta de mapas antigos.
A gravação de Crêuza de mä, o álbum onde esta canção aparece, foi um experimento em si mesma. Era 1984, e De André trabalhava com Mauro Pagani para criar algo que soasse como o Mediterrâneo real, não como um disco de estúdio polido. Usaram instrumentos da região —alaúde, violas, percussões árabes— e gravaram tudo ao vivo, sem retoques. O resultado foi um som que não se parecia com nada do que se ouvia na época: nem folk, nem rock, nem pop, mas algo que flutuava entre o antigo e o moderno, como se as ondas do mar tivessem entrado no estúdio. Sinàn Capudàn Pascià dura 5:33, tempo suficiente para que a história se desenvolva sem pressa, com aquele ritmo que parece marcado pelo balanço de um navio.
Do álbum
Crêuza de mä
Fabrizio De André · 1984 · Track 4
Dados
Créditos
Letra Fabrizio De André, Mauro Pagani
Música Fabrizio De André, Mauro Pagani