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A história por trás
Insensatez, segundo o DoReSol
A primeira vez que ouvi Insensatez, fiquei preso naquele arpejo inicial que se enrola como um sussurro. Jobim o construiu sobre uma base que parece tirada de um prelúdio de Chopin em mi menor, mas com um toque brasileiro que o torna inconfundível. A melodia avança com aquela cadência de bossa nova que Jobim dominava como ninguém, onde cada nota soa a cumplicidade e a desengano ao mesmo tempo. Não é só uma canção: é um diálogo entre a tristeza e a elegância, onde a letra de Vinícius de Moraes —que em português fala da insensatez como essa cegueira que nos leva a repetir erros— se funde com a harmonia sem que saibamos bem onde uma começa e a outra termina.
Gravou-a em 1963 para o álbum The Composer of Desafinado, Plays, sob o selo Verve e com Creed Taylor à frente da produção. Durava pouco menos de três minutos, mas aqueles segundos bastaram para que se tornasse um padrão do jazz e da bossa nova. Jobim registrou-a anos depois com Sting em 1994 para o seu último disco, Antônio Brasileiro, mas a versão original continua a ser a que melhor preserva aquele ar de sofisticação contida. Norman Gimbel deu-lhe letra em inglês —How Insensitive— e assim a canção cruzou fronteiras sem perder a sua essência: uma melodia que soa a café na Copacabana e a noites em Nova Iorque, onde os músicos de cool jazz a adotaram como própria. Ouviram-na Andy Williams, Frank Sinatra, Vikki Carr e até Sting, mas sempre com a mesma sensação de que, no fim, a insensatez não é só o título, mas o motor da canção.
Do álbum
The Composer of Desafinado, Plays
Antonio Carlos Jobim · 1963 · Track 6
Dados