A história por trás
Estado violência, segundo o DoReSol
Na primeira vez que ouvi Estado violência, fiquei preso àquele ritmo cortante que parece um soco sonoro. Não é só a bateria seca nem o baixo que soa ameaçador, mas como tudo se une para contar algo que dói sem precisar de palavras longas. A música avança como um trem que não freia, com os Titãs empurrando cada nota como se o próprio tempo tivesse se voltado contra eles. É daquele tipo de canção que não pede licença para grudar na cabeça, e isso mesmo sem ter um refrão tradicional: o gancho está na urgência que transmite, em como a letra —quando existe— se mistura com o caos controlado dos instrumentos.
Gravada no estúdio Nas Nuvens entre março e abril de 1986, esta faixa fez parte de Cabeça Dinossauro, um disco que os Titãs precisavam para se livrar do peso de seu álbum anterior, Televisão. O contexto não era fácil: naquele mesmo ano, um de seus letristas, Arnaldo Antunes, havia passado pela prisão, e outro integrante, Tony Bellotto, enquanto a relação com a gravadora se tensionava. Mas no estúdio encontraram um som que não soava como desculpa nem derrota, mas algo mais cru. O produtor Liminha, que na época dirigia a WEA, lhes abriu as portas e o resultado foi um disco que, em dezembro, já havia vendido o suficiente para conquistar seu primeiro disco de ouro. Estado violência não é a mais longa —dura pouco mais de três minutos—, mas nesse tempo consegue algo raro: fazer a raiva soar precisa, como se cada riff de guitarra estivesse medindo algo que o mundo não chegava a entender.
Do álbum
Cabeça Dinossauro
Titãs · 1986 · Track 5
Dados