Acordes em preparação
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Do álbum
Getz / Gilberto
Stan Getz · 1964 · Track 4
Dados
A história por trás
A primeira vez que você ouve Desafinado na versão de Stan Getz e Charlie Byrd, o que mais chama a atenção é aquele ar brincalhão que a música tem, como se ela estivesse desafiando o ouvido a segui-la sem perder o compasso. Não é só o ritmo relaxado da bossa nova, mas aquela mistura sutil entre o jazz e a samba que soa tão natural que é difícil acreditar que já foi criticada por estar “desafinada”. A canção nasceu como uma resposta irônica a quem dizia que a Bossa Nova soava como se seus intérpretes não soubessem cantar afinado, e acabou se tornando um hino que definiu um estilo. Seu título, que em português brinca com a ideia de estar “fora do tom”, tornou-se tão reconhecível que até hoje muitas pessoas a identificam por esse nome, embora em inglês tenha sido rebatizada como Slightly Out of Tune ou Off Key para se adaptar a outros públicos.
Gravada em 1962 para o álbum Jazz Samba, essa versão entrou nas paradas da Billboard como um fenômeno inesperado: chegou ao 15º lugar no pop e ao 4º na categoria de música leve, algo raro para um disco de jazz naquela época. A faixa também cruzou o Atlântico e alcançou a 11ª posição no Reino Unido, demonstrando que a fusão proposta por Getz e Byrd tinha apelo além das fronteiras dos Estados Unidos. Mas o reconhecimento mais importante veio em 1963, quando Getz levou o Grammy de “Melhor Performance Instrumental de um Grupo Pequeno” por essa mesma versão. Mais tarde, em 1965, o álbum Getz/Gilberto —que incluía uma versão instrumental de Desafinado— faria história ao ganhar o Grammy de Álbum do Ano, sendo o primeiro disco de jazz a conquistar esse feito. Décadas depois, em 2001, a canção foi incluída no Hall da Fama do Grammy Latino, consolidando seu lugar como um clássico que transcendeu gerações.