A história por trás
D’ä mê riva, segundo o DoReSol
D’ä mê riva soa como um sussurro que se arrasta entre o mar e a memória. Não é uma canção que atinge; antes, se infiltra, como o vento que acaricia os cais de Gênova. A letra, tecida em genovês, brinca com essa musicalidade áspera e cantarina que só existe na língua dos antigos mercadores do Mediterrâneo. Não há coros grandiloquentes nem guitarras elétricas; em vez disso, há um ar que lembra os navios mercantes, as vozes dos marinheiros misturadas ao rumor das ondas. O tema central parece brotar de um lugar onde as palavras não precisam de tradução: é a história de um homem que observa da margem, sabendo que o mar lhe deu tudo, mas também lhe arrebatou.
Foi gravada em 1984, ao lado de Mauro Pagani, em um disco que quebrou moldes: Crêuza de mä. Não foi um trabalho de estúdio convencional; buscavam algo que soasse a terra molhada e salitre, e conseguiram usando instrumentos que evitam o brilho artificial. O genovês não era um capricho: para Fabrizio De André —ou Faber, como o chamava seu amigo Paolo Villaggio— aquela língua era uma ponte entre o passado e o presente, um idioma que havia absorvido séculos de trocas, empréstimos e resistências. A canção, com seus três minutos e cinco segundos, é como um fragmento dessa história: breve, mas intenso, como um diário de bordo escrito em versos que não envelhecem.
Do álbum
Crêuza de mä
Fabrizio De André · 1984 · Track 7
Dados
Créditos
Letra Fabrizio De André, Mauro Pagani
Música Fabrizio De André, Mauro Pagani