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A história por trás
Captain Bacardi, segundo o DoReSol
O que mais salta aos ouvidos ao escutar Captain Bacardi é aquele ar brincalhão que se enreda entre os acordes límpidos do piano e do baixo, como se a melodia flutuasse sobre um ritmo que nunca chega a se assentar por completo. Não é uma peça que avança com pressa: ela toma seu tempo para desdobrar cada nota, como se cada som fosse um convite para ficar um pouco mais naquela atmosfera entre o jazz mais sereno e a bossa nova mais clássica. A faixa não busca impressionar com virtuosismos, mas com a simplicidade de quem sabe que o essencial está em como as partes se unem: o piano traça linhas que o baixo recolhe e estende, enquanto os arranjos de cordas conferem aquele brilho cálido que faz tudo soar maior do que realmente é.
Gravada em 1967 em Nova York com músicos majoritariamente estadunidenses, Captain Bacardi faz parte de Wave, o quinto álbum de Jobim, um disco que marcou um ponto de virada em sua carreira. O arranjador Claus Ogerman e o engenheiro Rudy van Gelder —conhecido por seu trabalho em gravações de jazz— deram ao tema aquele som polido, mas orgânico, onde cada instrumento tem seu espaço sem se sobrepor. O produtor Creed Taylor buscava algo diferente naquele momento: uma ponte entre a bossa nova e o jazz da Costa Oeste, e esta faixa é um dos exemplos mais claros de como ele alcançou o que pretendia. Embora o álbum não tenha chegado ao topo das paradas da Billboard, atingiu a 5ª posição na lista de Jazz Albums, consolidando Jobim como um nome fundamental na fusão desses dois mundos.
Do álbum
Wave
Antonio Carlos Jobim · 1967 · Track 10
Dados