A história por trás
Bemsha Swing, segundo o DoReSol
Bemsha Swing é uma daquelas peças que soam como Monk desde a primeira batida: um tema que oscila entre o brincalhão e o hipnótico, com um ritmo que parece escapar da grade mas que, no fim, sempre volta para casa. O mais chamativo é sua estrutura melódica, que se move num vaivém onde os acentos não caem onde se espera, como se o piano estivesse contando uma piada com pausas inesperadas. Não é um tema que se toque de memória: é preciso sentir o peso de cada nota para que esse *swing* assimétrico funcione sem perder a frescura.Gravou-o em duas sessões, em outubro e dezembro de 1956, com dois quintetos distintos, num estúdio emprestado onde o som ricocheteava entre paredes não tratadas.
A versão final de Bemsha Swing —de apenas 3 minutos e 11 segundos— nasceu naquele ambiente caseiro, onde os músicos improvisavam até que algo encaixasse. Monk não buscava perfeição: queria que cada repetição soasse como a primeira vez, com essa mistura de rigor e liberdade que define sua música. O álbum, Brilliant Corners, saiu no ano seguinte e tornou-se seu primeiro disco pela Riverside Records, onde predominavam suas próprias composições.
Do álbum
Brilliant Corners
Thelonious Monk · 1957 · Track 5
Dados
Créditos
Música Thelonious Monk, Denzil Best