Início · Músicas · Thelonious Monk · Ba-lue Bolivar Ba-lues-are
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Do álbum
Brilliant Corners
Thelonious Monk · 1957 · Track 2
Dados
A história por trás
Na primeira vez que ouvi Ba-lue Bolivar Ba-lues-are, fiquei preso naquele ritmo que parece mover-se em círculos, como se o piano e o saxofone estivessem se perseguindo sem nunca se encontrar. Não é uma melodia que avança em linha reta: ela progride em espiral, com pausas que respiram e mudanças de tempo que obrigam a soltar o que se está tocando para se reengajar. Monk a gravou em uma única tomada em outubro de 1956, com um quinteto que incluía Sonny Rollins e Max Roach, mas o mais curioso é o título: não é um nome, mas uma imitação de como o próprio Monk pronunciava "Blue Bolivar Blues". O "Bolivar" vem do Bolivar Hotel de Manhattan, onde morava Pannonica de Koenigswarter, uma mecenas do jazz que aparece em vários temas de Monk. A canção dura treze minutos, mas nesse tempo cabem camadas de improvisação que fazem com que cada audição seja diferente.
Gravou-se em duas sessões separadas por semanas, em outubro e dezembro de 1956, como parte das gravações para o álbum Brilliant Corners. Orrin Keepnews, o produtor, teve de editar fragmentos de diferentes tomadas para montar a versão final, pois Monk raramente repetia algo exatamente igual duas vezes. O que restou foi uma peça que não soa como uma gravação de estúdio, mas sim como um ensaio que se alongou mais do que o previsto: os músicos entram e saem dos temas como se estivessem testando ideias no momento. O resultado é uma faixa que não se parece com mais nada no jazz da época: nem balada, nem hard bop puro, mas algo que existe naquele limite onde o estruturado e o livre colidem.