A história por trás
Ave Gengis Khan, segundo o DoReSol
Ave Gengis Khan de Os Mutantes é aquele momento em que o rock psicodélico brasileiro se desmonta e se remonta diante dos seus olhos. A canção não avança em compassos retos: enrola-se em reviravoltas inesperadas, como se o tempo tivesse se tornado líquido. O baixo traça linhas que não se fecham, a bateria marca um pulso que se estica e encolhe, e a voz flutua sobre tudo com uma naturalidade que engana — porque por trás há horas de ensaio buscando fazer o caótico soar orgânico. Não é um tema que se deixe decorar: exige atenção a cada detalhe, desde o assobio que surge entre os versos até o instante em que a guitarra se quebra num acorde que parece saído de um sonho.Gravada em 1968, num estúdio que não era o mais equipado de São Paulo, mas que lhes deu liberdade para experimentar.
O disco Os Mutantes saiu naquele mesmo ano em um LP que hoje vale como documento de uma época: misturava samba, rock e ruídos de vanguarda, algo que na altura soava como heresia aos puristas. A canção surgiu no meio daquele alvoroço, com seus exatos 3:47 de duração, como se o relógio tivesse parado para deixar passar apenas o necessário. Mais tarde, em 1992 e 2006, seria relançada em CD, primeiro pela Polydor Records e depois pela Universal Records, mas o feitiço original permanecia intacto: continuava sendo aquele corte que não cabia em nenhuma categoria e, justamente por isso, acabava por defini-la.
Do álbum
Os Mutantes
Os Mutantes · 1968 · Track 11
Dados