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Clandestino 1998
Álbum · por Manu Chao ↗ Ver artista

Clandestino

Quando Manu Chao lançou seu primeiro disco solo, Clandestino, em 1998, fê-lo após um período de muita turbulência. Vinha da dissolução da Mano Negra em 1994, uma banda que havia explorado o rock latino com toques punk e que se desintegrou em meio a conflitos internos e uma turnê complicada pela Colômbia. A experiência deixou Chao em um momento de grande instabilidade pessoal e profissional. Durante os três anos seguintes, dedicou-se a percorrer o mundo, atuando em bares e movendo-se constantemente entre Europa, África e América do Sul, sem encontrar um lugar para se estabelecer. Viajou por cidades como Londres, Paris e Nápoles, e até esteve na Colômbia e no México, onde teve contato com os Zapatistas. Houve momentos muito difíceis, como no Brasil, onde esteve perto de tomar uma decisão drástica. Foi em uma favela do Rio de Janeiro, após um encontro com uma vaca que descreveu como "terna", que sentiu um impulso para seguir em frente. Toda essa etapa de músico errante foi fundamental para a gestação de Clandestino.

Ano
1998
Músicas
16
Duração
49 min 28 seg
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16 música|s

Lista de músicas

# Título Disponível

Sobre o álbum

Clandestino, segundo o DoReSol

A forma de gravar este álbum foi bastante particular. Chao começou a capturar ideias, sons de rua e fragmentos de conversas em um gravador portátil enquanto viajava. De volta à Espanha, continuou compondo em Madri e na Galícia antes de ir para Paris. Lá, junto ao produtor Renaud Letang, começou a organizar as canções e os sons que havia acumulado. Inicialmente, o som tinha uma forte influência eletrônica, com ritmos dançantes. No entanto, um erro técnico no computador de Letang eliminou grande parte desses elementos, deixando um som mais acústico e orgânico. Longe de se desanimar, Chao viu isso como uma oportunidade, dizendo que "o acaso é meu amigo". O processo se tornou uma espécie de terapia para ele. Testaram as misturas com os filhos de seus vizinhos, e as canções que mais ressoaram com eles foram as que acabaram no disco. O resultado foi algo que soava completamente novo, como se tivessem "dado à luz um OVNI", segundo Letang. Apesar das dúvidas iniciais da indústria, que esperava um público limitado aos seguidores da Mano Negra, o álbum continha joias como Clandestino, Desaparecido e Bongo Bong, que se tornaram pontos de referência.

Clandestino foi lançado em 1998 e se destacou por incluir fragmentos de discursos do Subcomandante Marcos. A gravação foi realizada em diferentes lugares do mundo, utilizando um pequeno laptop, o que se refletiu nas notas do álbum como "Estudio Clandestino". Este trabalho foi reconhecido pela revista Rolling Stone francesa como um dos melhores álbuns de rock francês, colocando-o na 67ª posição de 100, e também foi incluído no livro 1001 Albums You Must Hear Before You Die. Em 2020, a Rolling Stone o colocou na 469ª posição de sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos. O álbum, com uma duração total de 45:51, explorou gêneros como reggae rock e worldbeat, sendo produzido pelo próprio Manu Chao e Renaud Letang.