A história por trás
Socio de la soledad, segundo o DoReSol
A primeira vez que ouvi Socio de la soledad, fiquei preso naquele riff de piano que soa como um sussurro com pernas, aquele que volta de surpresa e te obriga a cantarolar sem querer. Não é uma música que te atinge com um refrão épico ou um ritmo que te faça mexer os pés; é mais algo que se infiltra em você e fica ali, como um sócio incômodo, mas fiel. O piano não soa limpo nem polido: tem um toque áspero, como se as teclas estivessem um pouco desafinadas de propósito, dando-lhe um ar de canção tocada entre amigos em um bar que fecha tarde. A voz de Calamaro não busca se impor; avança com naturalidade, quase sem esforço, como se estivesse contando um boato em voz baixa.
Essa canção nasceu em um momento em que Calamaro já havia tocado em meia dúzia de bandas diferentes, desde grupos de rock até formações que imitavam The Platters, passando por projetos efêmeros como Elmer's Band ou Stress —onde conviveu com Gustavo Cerati e Héctor Zeta Bosio, antes de esses dois formarem o que viria depois—. Socio de la soledad não foi um sucesso imediato, mas sim um tema que muitos músicos de sua esfera conheciam e regravavam em seus ensaios. Foi gravada em um estúdio emprestado, com equipamentos que não eram os melhores da época, e saiu com aquele som cru que acabaria se tornando sua marca. Não buscava soar como um disco de rádio, mas sim como algo que pudesse existir em um sótão com pouca luz e muita vontade de tocar sem filtros.
Do álbum
Honestidad brutal
Andrés Calamaro · 1999 · Track 12
Dados
Créditos
Letra Andrés Calamaro
Música Andrés Calamaro