A história por trás
Nuvem cigana, segundo o DoReSol
Nuvem cigana flutua como um suspiro entre o folk e o jazz, com um ar que lembra aqueles dias em que a música brasileira buscava respirar sob o peso da ditadura. Gravada em apenas três minutos, a canção captura essa mistura de melancolia e liberdade que define o álbum Clube da Esquina, onde Milton Nascimento e Lô Borges teceram um disco duplo que ainda soa fresco hoje. A faixa não é apenas uma música: é uma ponte entre o íntimo e o coletivo, entre a praia de Piratininga e os estúdios Odeon do Rio, onde tudo foi gravado em novembro de 1971.O disco nasceu em um momento em que o país vivia sob tensão política, mas Nuvem cigana não soa como protesto: soa como fuga.
A voz de Milton se ergue com aquele falsete característico, enquanto a guitarra e os arranjos de sopro desenham uma paisagem que vai do pop barroco ao jazz suave. Não há virtuosismo forçado aqui; há uma naturalidade que faz a canção funcionar tão bem em um quarto pequeno quanto em um palco grande. Mais tarde, em 1992, Milton voltaria a explorar esse som em O Planeta Blue Na Estrada Do Sol, mas em 1972 já estava tudo ali, naqueles três minutos de Nuvem cigana.
Do álbum
Clube da Esquina
Milton Nascimento · 1972 · Track 5
Dados
Créditos
Música Lô Borges, Ronaldo Bastos