A história por trás
No hay héroes, segundo o DoReSol
A canção No hay héroes começa com uma batida seca de bateria e uma guitarra que soa como garage, mas não qualquer uma: é daquele tipo de riff que gruda nos dedos quando você toca. Não é uma música longa, mal passa de dois minutos, mas nesse tempo consegue algo raro: soa como um hino sem ser grandiloquente. A voz de Lali aqui não tenta imitar ninguém; soa mais rouca, como se estivesse cantando num porão com eco, e o baixo marca o ritmo como se estivesse com pressa. O mais curioso é que, apesar de ser uma música curta, cada seção tem um giro: o refrão não repete a mesma estrutura, e a ponte é cortada de repente, como se alguém tivesse decidido que já era suficiente.
O álbum No vayas a atender cuando el demonio llama foi lançado em abril de 2025, mas esta canção em particular parece gravada num momento em que a equipe não tinha tempo para polir detalhes. Não há correções de estúdio nem camadas de produção sobrecarregadas: soa crua, como se tivesse sido capturada num ensaio onde tudo aconteceu ao mesmo tempo. Os créditos de produção são de Mauro De Tommaso e Don Barreto, que já haviam trabalhado com Lali em seu disco anterior, mas aqui apostaram em algo mais direto, quase punk. A letra, por sua vez, não enrola: fala de algo que não perdoa, de decisões que se pagam, e o faz sem metáforas rebuscadas. O título em si — No hay héroes — soa como um aviso, como se a música fosse um grito antes que algo inevitável aconteça.
Do álbum
No vayas a atender cuando el demonio llama
Lali · 2025 · Track 8
Dados