Acordes em preparação
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A história por trás
Misty Mountain Hop, segundo o DoReSol
Há algo no ambiente de «Misty Mountain Hop» que não se assemelha a nada mais dos Led Zeppelin. Não é apenas o riff inicial, aquele baixo que se entrelaça como um caminho sinuoso entre acordes maiores, mas sim aquela sensação de estar a caminhar por uma paisagem que não existe, mas que todos reconhecemos. O título vem das Montanhas Nebulosas de «O Hobbit», mas a canção não soa a fantasia: soa a um grito no meio de uma multidão, àquele 7 de julho de 1968 no Hyde Park, quando a polícia atacou o «Legalise Pot Rally». Robert Plant não canta sobre elfos, canta sobre um mundo onde a liberdade não seja apenas um verso numa canção, mas algo real. E esse contraste — entre o épico e o terreno — é o que faz com que a canção seja inesquecível.
Gravaram-na em Headley Grange, aquela mansão em Hampshire onde a banda se refugiava entre digressões. Não procuravam a perfeição: procuravam um som que respirasse, que cheirasse a suor e a madeira velha. Jimmy Page construiu a estrutura sobre uma batida que oscila entre o rítmico e o livre, enquanto John Paul Jones tecia linhas de baixo que parecem andar por si próprias. A canção foi lançada como lado B de «Black Dog» em dezembro de 1971, mas em menos de dois anos já era parte essencial dos seus concertos. Em 2019, a Rolling Stone colocou-a no 10.º lugar da sua lista das melhores canções, mas isso é apenas mais um dado: o que importa é que, décadas depois, continua a soar como se o tempo não a tivesse afetado.
Do álbum
[Led Zeppelin IV]
Led Zeppelin
Dados
Créditos
Música Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones