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A história por trás
Little Queenie, segundo o DoReSol
Little Queenie não é apenas mais uma música de Chuck Berry: é um daqueles temas que, quando tocam, te obrigam a mexer os pés sem pensar. A guitarra entra com um riff curto e grudento, quase como uma saudação, e a bateria de Fred Below marca o ritmo com uma precisão que faz o baixo de Willie Dixon soar mais largo do que é. Berry canta com aquela mistura de confiança e malícia que o caracterizava, como se estivesse falando diretamente com alguém no meio de uma dança. O curioso é que a melodia não é nova: um ano antes, Berry já havia usado quase a mesma coisa em Run Rudolph Run, aquele tema natalino que muitos conhecem. Mas aqui, sem o contexto das renas nem da árvore, a canção se transforma em algo diferente: um hino do rock and roll onde a diversão e a descontração caminham lado a lado.
Gravou-se em um único dia, em 19 de novembro de 1958, nos estúdios da Chess Records em Chicago. Berry ficou responsável pelos vocais e pela guitarra, e o piano foi tocado por Johnnie Johnson ou Lafayette Leake, enquanto o baixo e a bateria completavam o som. O resultado saiu como single em março de 1959, emparelhado com Almost Grown, e depois foi incluído em Berry Is on Top, seu primeiro álbum de compilação. Não foi um sucesso massivo —alcançou apenas a posição 80 na Billboard Hot 100— mas, com o tempo, tornou-se um tema que muitos guitarristas aprendem primeiro, não pela dificuldade, mas porque captura aquela essência do rock and roll dos anos 50: direto, sem firulas e com gancho. Berry até levou a música ao cinema, aparecendo em Go, Johnny Go! e no documentário Hail! Hail! Rock 'n' Roll anos depois. Durava apenas dois minutos e quarenta e dois segundos, mas nesse tempo deixou claro que, às vezes, o simples é o que melhor funciona.
Do álbum
Chuck Berry Is on Top
Chuck Berry · 1959 · Track 7
Dados