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A história por trás
Lamento boliviano, segundo o DoReSol
Los Enanitos Verdes deram uma reviravolta inesperada em um tema que já existia: transformaram-no em um sucesso que cruzou fronteiras. A versão de Lamento boliviano que a banda gravou em 1994 não só repetiu o êxito da original de Alcohol Etílico de 1986, como a levou a outro patamar. O som fresco, a interpretação vocal de Tito Dávila e aquele ritmo grudento fizeram com que a canção ecoasse desde Mendoza até a Espanha, onde anos depois uma remixagem de Dani Mata a recolocou nas rádios em 2007. O curioso é que, além dos arranjos, a essência da música — aquela mistura de melancolia e rebeldia — já estava ali desde a primeira versão, mas foi nessa gravação que encontrou sua forma definitiva para o público massivo.
A canção nasceu em 1984 pelas mãos de Dimi Bass (Raúl Federico Gómez) e Natalio Faingold, quando ainda faziam parte do Alcohol Etílico. Originalmente, chamava-se Soy como una roca (Lamento boliviano) e apareceu no álbum Envasado en origen (1986), mas sem o impacto que teria anos depois. A letra, no entanto, já deixava pistas de sua inspiração literária: tomava frases de obras como Crónica de una muerte anunciada de Gabriel García Márquez e Y el mundo sigue andando de Manuel Mejía Vallejo, misturando imagens poéticas com um tom direto. Quando Horacio Gómez — tecladista de ambas as bandas — uniu-se ao Los Enanitos Verdes para gravá-la em 1994, o tema já tinha uma história por trás, mas foi a produção do álbum Big bang que lhe deu aquele ar renovado. O single foi lançado naquele mesmo ano e acabou sendo um dos cortes mais difundidos do disco, consolidando-se como um clássico do rock em espanhol na América Latina. Mais tarde, em 2021, o cantor mexicano Junior H a regravou para seu álbum $ad Boyz 4 Life, demonstrando que sua vigência segue intacta.
Do álbum
Big Bang
Los Enanitos Verdes · 1994 · Track 2
Dados
Créditos
Música Dimi Bass, Natalio Faingold