A história por trás
La mula plateada, segundo o DoReSol
A mula prateada não é apenas mais um tema no disco Divididos pela felicidade; soa como se a banda tivesse pego um riff do Joy Division e deixado rolar pelo asfalto de Buenos Aires. O baixo entra com aquela linha que parece se arrastar, como se o peso da cidade a empurrasse para frente, enquanto a bateria marca um ritmo que nunca chega a se acomodar direito. A voz do Luca Prodan não canta sobre algo, mas o grita de algum lugar entre a esquina de um bar e a meia-noite. Não há adornos aqui: o som é cru, como se o disco tivesse sido gravado em uma única tomada, sem tempo para polir detalhes.
O álbum Divididos pela felicidade foi lançado em abril de 1985 nos estúdios da CBS Records, justamente quando o pós-punk argentino começava a deixar de ser um murmúrio nos porões para se infiltrar nos teatros. O Sumo o apresentou no Astros nos dias 11 e 12 de maio, e naquela noite a banda passou de tocar para poucos a lotar um palco que antes os via como convidados. A canção não foi o maior sucesso do disco —esse foi A loira tarada—, mas tem algo que as outras não têm: uma tensão que não se resolve, como se a mula do título estivesse prestes a sair correndo e ninguém soubesse para onde.
Do álbum
Divididos por la felicidad
Sumo · 1985 · Track 2
Dados