A história por trás
It Can Happen, segundo o DoReSol
Há um momento em It Can Happen em que o ritmo para e o diálogo de uma peça teatral irrompe entre as guitarras. Não é um recurso comum no rock progressivo dos anos 80, mas ali está, bem antes do solo, como uma referência inesperada. As linhas do personagem de Oscar Wilde —“Vamos, velho, é melhor resolver isso de uma vez”— misturam-se ao som da banda sem perder a elegância, como se alguém tivesse decidido que a música também podia ser literatura sem deixar de ser música. O restante da canção, no entanto, não para: começa com uma batida seca de bateria que marca o compasso de uma melodia que avança sem pressa, mas sem pausa, arrastando o ouvinte para um terreno onde o comercial e o experimental se dão as mãos.
A canção nasceu em um momento de transição para o Yes. Após a separação de 1981, o baixista Chris Squire e o baterista Alan White se uniram ao guitarrista sul-africano Trevor Rabin para formar o Cinema, um projeto que buscava renovar o som da banda. Foi aí que Squire gravou uma versão inicial de It Can Happen, com sua voz como protagonista. Mas o destino tinha outros planos: quando Jon Anderson —o vocalista original do Yes— retornou ao grupo, não só acrescentou suas letras à canção, como lhe deu um rumo definitivo. O tema acabou incluído no 90125, o álbum que marcou o retorno triunfal da banda e os levou de volta ao topo das paradas. O single lançado em 1984 alcançou a posição 51 na Billboard Hot 100 e a 5 na Billboard Mainstream Rock, demonstrando que podiam soar frescos sem perder sua essência. A produção de Trevor Horn —com aquele baixo polido e os teclados flutuando sobre a base rítmica— selou o som que os tornaria reconhecíveis naquela década.
Do álbum
90125
Yes · 1983 · Track 3
Dados