A história por trás
I Ran (So Far Away), segundo o DoReSol
A gancho desta canção não é apenas aquele riff de guitarra que soa como um eco futurista, mas a mistura de urgência e espaço que envolve cada nota. A letra fala em fugir, mas não de qualquer jeito: descreve alguém que se afasta de uma figura feminina iluminada pela aurora boreal, como se o amor ou o desejo o arrastassem para um lugar que não consegue nomear. O próprio título —I Ran (So Far Away)— soa como um grito contido, aquela tensão entre correr e não conseguir escapar. O curioso é que, embora a história pareça tirada de um filme de ficção científica, o som é puro new wave: sintetizadores frios, uma bateria que lateja como um coração acelerado e guitarras que se desvanecem no ar. O detalhe que mais se destaca é essa ponte instrumental em que a guitarra se repete com um efeito de delay, como se o tempo mesmo se esticasse na tentativa de entender o que está acontecendo.
Gravam-na nos Battery Studios de Londres com o Mike Howlett à frente da produção, e o resultado foi uma faixa de cinco minutos e sete segundos que não se parecia com nada do que soava em 1982. O A Flock of Seagulls original —o quarteto de Liverpool formado pelos irmãos Mike Score e Ali Score, além do Frank Maudsley e do Paul Reynolds— não buscava soar como os outros: queriam que sua música tivesse aquele ar de outro planeta, e conseguiram sem querer. O vídeo, por exemplo, nasceu da necessidade de fazer algo “estranho” para a MTV: um quarto revestido de papel-alumínio e espelhos, onde a banda se movia como extraterrestres num cenário de televisão. Esse clipe tornou-se o ímã que levou a canção ao número 9 nos Estados Unidos e, mais tarde, ao número 1 na Austrália. No entanto, em seu próprio país, o Reino Unido, nem sequer entrou no top 40. Hoje, mais de quarenta anos depois, continua sendo sua faixa mais reconhecida, embora o líder da banda tenha confessado em entrevistas que, no fundo, o incomoda que seja a única coisa que as pessoas lembram deles.
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