A história por trás
I Dig Love, segundo o DoReSol
Quando você mergulha em *I Dig Love*, encontra uma faceta de George Harrison que se afasta das profundezas espirituais que dominam grande parte de seu álbum triplo *All Things Must Pass*. Esta canção é uma celebração da liberdade no amor, e seu som é nutrido pelas primeiras explorações de Harrison com a guitarra slide. Foi uma técnica que ele conheceu de perto no final de 1969, enquanto excursionava com Delaney & Bonnie and Friends. A gravação de *I Dig Love* é um bom exemplo da generosidade de músicos que caracterizou *All Things Must Pass*, reunindo três guitarristas, dois bateristas e três tecladistas. Entre eles estavam Eric Clapton, Bobby Whitlock e Dave Mason, que haviam dividido o palco com Delaney & Bonnie, além de Billy Preston e Ringo Starr. A produção, a cargo de George Harrison e Phil Spector, ocorreu em Londres.
A introdução de George Harrison à guitarra slide, tocada em afinação aberta E, aconteceu em dezembro de 1969. Naquele momento, ele se juntou a Eric Clapton como convidado em uma turnê europeia de Delaney & Bonnie. Como Harrison lembra em sua autobiografia, Delaney Bramlett lhe passou um slide para que ele tentasse tocar uma linha que Dave Mason havia executado na faixa *Coming Home*, já que Mason havia se retirado da turnê. Essa experiência na estrada, longe de sua esposa Pattie Boyd, mostrou um lado de Harrison que contrastava com sua imagem pública mais ligada às religiões orientais e à espiritualidade. Embora Harrison tivesse fortes laços com o movimento Hare Krishna, que promovia a abstinência, Bramlett lembrava que ele "deixava o cabelo solto" na turnê, evocando os anos anteriores à fama dos Beatles em Hamburgo.
Musicalmente, *I Dig Love* se sustenta em um riff, executado principalmente no piano, que desce e depois repete o percurso até seu ponto de partida. Um crítico musical da época comparou essa sequência à música *The Pink Panther Theme* de Henry Mancini. As letras, com sua declaração repetida de "I dig love every morning / I dig love every evening", refletem uma abertura para as convenções sociais sobre sexo e sexualidade, um tema central da contracultura dos anos 60. Embora alguns autores a vejam como um desvio dos temas predominantemente espirituais de *All Things Must Pass*, outros a interpretam como um endosso à filosofia do amor livre daquela era. A composição de George Harrison, que também inclui jogos de palavras e o que alguns chamam de "piadas de colegial", se afasta de suas reflexões mais profundas, e o fato de ele mesmo não discuti-la em sua autobiografia nem incluí-la em coleções de suas músicas, pode sugerir sua própria visão sobre ela.
Do álbum
All Things Must Pass
George Harrison · 1970 · Track 15
Dados
Créditos
Letra George Harrison
Música George Harrison