A história por trás
En camino, segundo o DoReSol
Em movimento começa com um jogo de sons que se repetem: o baixo marca o passo, a guitarra traça linhas cortantes e o piano entra como um sussurro antes de a bateria irromper com um ritmo acelerado. Não há pausa entre o início e o refrão, que se constrói sobre frases que parecem recortadas e coladas entre si, como se a letra fosse feita de retalhos que voltam uma e outra vez. A canção fecha como abre, mas com uma última nota de piano que se esvai, como se a viagem que promete nunca terminasse de fato.A letra mistura imagens de movimento — "pontes", "desvios", "caminhos" — com uma urgência que não deixa claro se é física ou emocional.
Há um verso que repete duas ideias distintas em uma mesma linha: "Estamos em movimento entre os espelhismos" e "Não posso esperar por você até o fim do século", e depois as une no final: "Estamos em movimento até o fim do século." Não é por acaso que a canção só foi tocada ao vivo em pouquíssimas ocasiões: sua estrutura fragmentada a torna difícil de adaptar a versões ao vivo sem perder aquela sensação de colagem sonora. Os remixes que surgiram anos depois em Rex Mix lhe deram um giro eletrônico, mas mantiveram a mesma ideia de loops que se sobrepõem, como se o tempo mesmo estivesse em pausa.
Do álbum
Signos
Soda Stereo · 1986 · Track 6
Dados
Créditos
Música Gustavo Cerati, Charly Alberti, Isabel de Sebastián