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Tester de violencia

por Luis Alberto Spinetta · Álbum Tester de violencia

El mono tremendo

Duração 2:30

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Do álbum

Tester de violencia

Tester de violencia

Luis Alberto Spinetta · 1988 · Track 6

Dados

Duración2:31
ÁlbumTester de violencia
Año1988
ISRCARF038800070

A história por trás

"El mono tremendo" não soa como qualquer outra música de rock argentino de 1988. Tem algo que a torna escorregadia: não é só a letra, nem o ritmo, nem mesmo a voz de Luis Alberto Spinetta cantando sobre um ferroviário que se torna furioso. É a mistura de tudo isso com um detalhe que a torna única: a canção é cantada, em coro e quase aos gritos, pelos filhos de Spinetta e os de seu amigo Dylan Martí. Dante Spinetta, Lucas Martí, Emmanuel “Popik” Martí (depois Emmanuel Horvilleur), Guadalupe Martí e Catarina Spinetta deram forma a um refrão que soa como um transbordamento controlado, como se a raiva descrita na letra tivesse contagiado quem a gravou. Spinetta, que já vinha trabalhando com Fito Páez em um disco duplo, decidiu incluir essas crianças sob o nome Pechugo, uma ironia ao grupo Menudo, que na época arrasava na América Latina. O resultado foi uma música que, com seus dois minutos e meio, conseguiu algo raro: ser eleita a melhor do ano pela enquete do suplemento S! do Clarín.

A canção nasceu em um contexto em que a violência não era apenas um tema de letras, mas algo que se respirava nas ruas da Argentina. Em 1986, o Congresso havia aprovado a primeira das leis de impunidade, e no ano seguinte estourou as sublevações dos carapintadas. Spinetta, que vinha de um duelo artístico com Fito Páez e da perda de amigos próximos, despejou essa tensão em Téster de violencia, seu álbum de 1988. Mas "El mono tremendo" se destacou até mesmo dentro desse disco conceitual: não fala de violência política nem de ditaduras, mas da raiva cotidiana, a de um trabalhador maltratado que, como o Hulk, se transforma em algo incontrolável. Juan Carlos “Mono” Fontana criou os arranjos de teclado que lhe dão esse ar sombrio mas dançante, e a banda que gravou a música — com Machi Rufino no baixo e Jota Morelli na bateria — conseguiu um som que, embora não pesado, tem uma urgência que não se repete em outras faixas do álbum. Spinetta a colocou como a primeira música do segundo lado do vinil, como se quisesse que o ouvinte sentisse o impacto desde o primeiro minuto.