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A história por trás
Eduardo E Mônica, segundo o DoReSol
A primeira vez que ouvi Eduardo e Mônica ao vivo, com Renato Russo sozinho à frente do violão, fiquei com aquela sensação de que havia algo mais ali do que apenas uma canção. Não era só o ritmo que grudava nem a letra que contava uma história, mas aquela mistura de ternura e rebeldia que faz com que o tema soe como um retrato honesto de duas pessoas que se escolhem apesar de tudo. A versão do álbum, com a banda completa, dá um ar mais orgânico, mas até naquela versão acústica inicial — gravada em 1982 e resgatada anos depois — já se notava aquele pulso que a tornaria diferente: uma melodia que avança sem pressa, como se cada nota fosse mais um passo na estrada que Eduardo e Mônica traçaram juntos.
Renato Russo a escreveu inspirado em pessoas reais: sua amiga Leonice de Araújo Coimbra e o marido dela, Fernando, um cara que chegava de Paris com discos debaixo do braço e falava de antropologia na UnB. A letra, que a princípio iria terminar com eles construindo uma casa perto do mar e passando por cidades como Bahia ou Ouro Preto, acabou se ajustando aos versos que conhecemos hoje. Mas o mais curioso é que, na gravação original do álbum, o final muda: em vez de falar de um filho que ainda não havia nascido, a versão diz que a família não pôde viajar por um problema de saúde. Esses detalhes, pequenos mas reveladores, dão à canção aquele ar de verdade que transcende a ficção. E não é por acaso que, décadas depois, uma adaptação teatral e até um longa-metragem — com Gabriel Leone e Alice Braga — tenham tentado capturar essa essência.
Do álbum
Dois
Legião Urbana · 1986
Dados