A história por trás
Cravo e canela, segundo o DoReSol
Cravo e canela é uma canção que respira em menos de três minutos, mas deixa uma marca que não se apaga. Sua magia está nesse jogo entre o íntimo e o expansivo: a voz de Milton Nascimento se enrosca em melodias que sobem e descem como ondas, enquanto o piano e os arranjos de cordas lhe dão um ar de canção de ninar para adultos. Não é só uma peça musical; é um sussurro que se transforma em eco quando a escutamos em silêncio. O mais marcante é como consegue transmitir essa mistura de nostalgia e frescor, como se cada nota guardasse uma lembrança que ainda não foi escrita.
Gravou-a em novembro de 1971 em dois lugares muito distintos: a Praia de Piratininga, em Niterói, onde o som do mar se infiltrou nas tomadas, e os Estúdios Odeon do Rio de Janeiro, onde a equipe técnica trabalhou com o que tinha à mão. O resultado foi um álbum duplo, Clube da Esquina, lançado no ano seguinte pela EMI-Odeon Records, que não buscava soar como os outros. Em meio à ditadura militar no Brasil, aquela tensão política se filtrou nas letras e nos acordes, mas sem perder de vista o calor humano. Milton e Lô Borges criaram um disco que era, ao mesmo tempo, um refúgio e um desafio. Cravo e canela é apenas uma dessas joias que nasceram ali, com seus dois minutos e meio de duração exata para não cansar, mas suficientes para ficar.
Do álbum
Clube da Esquina
Milton Nascimento · 1972 · Track 6
Dados
Créditos
Letra Milton Nascimento
Música Ronaldo Bastos