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Do álbum
Piano bar
Charly García · 1984 · Track 9
Dados
A história por trás
Na primeira vez que ouvi Cerca de la revolución, o que ficou marcado não foi apenas a melodia, mas como o piano e a letra se entrelaçam para retratar aquele momento exato em que a Argentina começava a respirar novamente após anos de silêncio imposto. Gravada em 1984, a canção nasceu em um contexto em que o país tentava se recompor: a ditadura havia caído meses antes, a democracia dava os primeiros passos com Raúl Alfonsín, mas as feridas ainda estavam abertas. Charly García não compôs um hino triunfal, mas algo mais cru, como se o piano — aquele instrumento que sempre o acompanhou — fosse a testemunha muda de tudo o que não podia ser dito em voz alta. A letra não fala de heróis nem de vitórias, mas dessa tensão entre o que se ganhou e o que ainda falta, com frases que soam como linhas de um diário íntimo lido em voz alta.
A música faz parte de Piano Bar, seu terceiro álbum solo, gravado nos Estúdios ION de Buenos Aires com uma abordagem quase artesanal: quase tudo ao vivo, sem retoques excessivos, como se o objetivo fosse capturar o momento sem filtros. O som resultante é áspero, direto, com aquele piano que parece tocar em um bar de bairro às três da manhã, quando a fumaça ainda paira no ar. A mixagem final foi feita no Electric Lady Studios, em Nova York, mas a alma da canção permaneceu ancorada em Buenos Aires, naquela Buenos Aires que tentava se reerguer após a Guerra das Malvinas e uma ditadura que deixou 30 mil desaparecidos. Em 2006, a revista Rolling Stone a elegeu como a melhor canção de rock argentino de todos os tempos, mas o interessante não é o reconhecimento, e sim como ela ainda ressoa toda vez que alguém a ouve e sente que, naquelas notas, há algo que ainda não foi resolvido.