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Do álbum
Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not
Arctic Monkeys · 2005 · Track 13
Dados
A história por trás
O que mais cativa em A Certain Romance não é apenas sua duração — cinco minutos e meio que parecem uma viagem —, mas aquele solo de guitarra de dois minutos que se entrelaça sem uma única palavra. Não há refrão para ancorá-lo, apenas uma espiral de notas que sobe e desce como se o guitarrista principal, Alex Turner, tivesse decidido deixar as cordas falarem por ele. A canção fecha Whatever People Say I Am, That's What I'm Not (2006) e, em vez de um encerramento convencional, entrega um momento de puro caos controlado: duas guitarras que se desafiam, se entrelaçam e, de repente, se fundem em algo que soa como alívio ou rendição. Não é música que se explique; é música que se sente, e por isso os críticos da época a destacaram como uma das faixas mais originais do disco.
Turner escreveu A Certain Romance ainda adolescente, inspirado no que via ao seu redor: a forma como os jovens de sua cidade transitavam entre a arrogância e a vulnerabilidade, entre o desejo de pertencer e a impossibilidade de fazê-lo. Ele a gravou primeiro como demo em 2004, entre um punhado de canções que a banda distribuiu em CDs piratas e que acabaram circulando pela internet. Para o álbum, a regravaram em The Chapel (South Thoresby) em 2005, com Jim Abbiss na produção e a mixagem a cargo de Simon “Barny” Barnicott e Owen Skinner. A versão final mantém essa crudeza inicial, mas acrescenta camadas: a letra, que começa como um julgamento e termina em empatia, e aquele solo que, segundo Matt Mitchell da Paste, "presta juramento aos deuses". A canção não foi lançada como single, mas a mídia a destacou igualmente: a NME a chamou de "estranhamente equilibrada", a Rolling Stone a descreveu como um retrato hiper-realista da juventude, e a Pitchfork a viu como um resumo perfeito do estilo da banda: existencial, claustrofóbico e, contra todas as expectativas, cheio de humanidade.