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🇺🇸 Estados Unidos · 1935–1993

Dizzy Gillespie

Dizzy Gillespie não tocava trompete como os outros. Seu som não seguia as regras da época: as notas escapavam em giros inesperados, os ritmos se desordenavam em padrões que ninguém havia ouvido antes. Ele pegava os acordes de Roy Eldridge —seu ídolo de infância— e lhes acrescentava camadas de harmonias tão complexas que o jazz parecia se redescobrir a cada frase. Não era apenas um virtuoso: era um arquiteto do caos controlado, um homem que transformava o fraseado em espetáculo e a improvisação em um jogo de engenho. Entre suas sobrancelhas franzidas e as bochechas infladas como balões, a trompeta se dobrava para cima, como se o instrumento também risse de suas próprias loucuras. O boné, os óculos de pasta e o humor ácido completavam o personagem: um trompetista que parecia tirado de um circo, mas que, na verdade, estava reescrevendo a música por dentro.

Nos anos 1940, quando o swing dominava as pistas de dança, Gillespie e Charlie Parker viraram tudo de cabeça para baixo. Juntos, transformaram o bebop de um estilo em uma revolução. Não buscavam que as pessoas dançassem; queriam que ouvissem. Seus solos já não eram enfeites sobre melodias conhecidas, mas labirintos onde cada nota levava a outra sem aviso. O público da época nem sempre entendia —alguns até chamavam aquilo de “música chinesa”, segundo contam os músicos que tocaram com ele. Mas entre risos, facas e *spitballs*, Gillespie seguia em frente. Até que, um dia, o mundo do jazz nunca mais foi o mesmo.

1 Álbuns
2 Músicas
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1 álbum · 1975

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Biografia

Antes de se tornar lenda, era um menino de Cheraw que aprendeu piano aos quatro anos e trompete aos doze, porque seu pai —líder de uma banda local— deixava instrumentos espalhados pela casa. Aos dezessete, após ganhar uma bolsa para o Laurinburg Institute, já sonhava em soar como Roy Eldridge. Seu primeiro trabalho profissional veio em 1935 com a Frank Fairfax Orchestra, mas foi na banda de Teddy Hill que gravou seu primeiro disco, “King Porter Stomp”. Foi também lá que conheceu Lorraine Willis, uma dançarina que a princípio o ignorou, mas que acabou se tornando sua esposa e parceira por mais de meio século. Sua passagem pela orquestra de Cab Calloway terminou em briga —incluindo um incidente com uma faca e acusações de ter jogado um *spitball*— e em 1941 foi demitido. Mas no meio do caos, Gillespie já escrevia arranjos para Woody Herman e Jimmy Dorsey, e em 1942 tocou com a orquestra de Ella Fitzgerald. Em 1943, já estava na banda de Earl Hines, onde o compositor Gunther Schuller recordaria anos depois ter ouvido pela primeira vez os acordes “planos” e as substituições harmônicas que depois definiriam o bop. O curioso é que essa banda nunca gravou: o futuro já estava no ar, mas ninguém sabia disso ainda.

Em 1993, quando Gillespie morreu, o jazz já tentava há décadas alcançar seu nível de loucura organizada. Deixou para trás não só uma dúzia de Grammy Awards, mas uma legião de trompetistas —de Miles Davis a Arturo Sandoval— que tentaram, sem sucesso, copiar seu som. Porque Dizzy não era reproduzível: era daquele tipo de músico que, ao soprar sua trompeta, não só fazia música, como lembrava que a arte pode ser um desastre brilhante.

Dados

Nacimiento
21 oct 1917
País
🇺🇸 Estados Unidos
Género
afro-cuban jazz

Prêmios e reconhecimentos

  • Grammy de Trajetória

Selos discográficos

Discovery *Impulse

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