A técnica em questão era o *tapping*, aquele movimento das duas mãos no braço do instrumento que Eddie Van Halen popularizou até torná-lo sua marca. Durante as gravações, o guitarrista usava esse recurso nos solos, mas o que chamou atenção foi Eruption, uma faixa que nem sequer estava planejada na lista original. Segundo contou Ted Templeman, Eddie a tocava como aquecimento antes das sessões, e o produtor, ao ouvi-lo, insistiu em gravá-la. O resultado é um solo de 90 segundos que, décadas depois, continua sendo referência obrigatória para qualquer guitarrista que queira entender como se constrói um som inovador. Para promover o disco, Eddie até tocava os solos de costas para o público, como se o truque de seus dedos fosse um jogo de mãos que só ele podia ver.
Além de Eruption, o álbum inclui versões que não são simples *covers*: You Really Got Me, do The Kinks, soa aqui com um ritmo mais acelerado e um solo que lhe dá um giro inesperado. Também se destacam Ain’t Talkin’ ’Bout Love e Runnin’ With the Devil, faixas que, junto ao restante do disco, acabaram influenciando bandas que viriam depois, como Mötley Crüe ou Kix. Em 2003, a revista Rolling Stone o colocou na 415ª posição de sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, e em 2006, You Really Got Me apareceu no jogo Guitar Hero II, como uma homenagem ao seu legado. A capa, aliás, foi tirada no palco do Whisky a Go Go, aquele local de Los Angeles onde a banda costumava tocar antes de gravar.