Acordes em preparação
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Do álbum
Van Halen
Van Halen · 1978 · Track 3
Dados
A história por trás
A primeira vez que você ouve You Really Got Me, não se parece com nada que você já tenha ouvido antes. Não é uma música arrastada nem um blues cansativo: é um golpe seco de guitarra que entra como um trem e não te deixa respirar. O riff do Dave Davies não soa como notas, soa como eletricidade pura, como se alguém tivesse ligado um rádio velho a uma bateria de caminhão. Essas quintas e oitavas perfeitas que se repetem uma e outra vez não são enfeites: são o coração da canção, aquele batimento que te agarra pelo pescoço e não te solta. A voz do Ray Davies por cima, aguda e rouca, dá um ar de viela londrina, como se o cara estivesse cantando da soleira de um pub onde acabaram de quebrar uma garrafa. Mas o mais estranho é que, embora soe como caos, tudo está calculado: cada nota do solo de guitarra —aquele que muitos juraram ser do Jimmy Page— está lá para que a música não se desmanche.
Gravam-na em julho de 1964 nos estúdios IBC de Londres, mas não foi um processo tranquilo. A princípio, o Ray Davies a escreveu ao piano na sala de sua casa, com um ar jazzístico e letras que ele mesmo definiu como "uma canção de amor para garotos de rua". A ideia era que soasse relaxada, quase como uma valsa bêbada. Mas seu irmão Dave, o guitarrista, discordou: o tema precisava de distorção, e o saxofone que o Ray imaginava tinha de virar um solo de guitarra com *fuzz*. Então regravaram-na, dessa vez com um amplificador tão distorcido que soava como um motor enlouquecido. O resultado foi um disco que não só os colocou no mapa —chegou ao número um na Inglaterra em agosto de 1964—, como também se tornou o manual de como fazer rock pesado antes mesmo de o heavy metal existir. Quando o Van Halen a resgatou em 1978 para seu primeiro álbum, não só deram a ela uma versão mais selvagem (com aquele solo do Eddie Van Halen que popularizou o *tapping*), como também a transformaram em uma ponte entre duas eras. A canção apareceu em jogos como Guitar Hero II e em comerciais de carros dos anos 90, mas seu verdadeiro legado está no fato de que, toda vez que alguém liga uma guitarra e aperta as cordas até soarem como uma ameaça, está prestando homenagem a essa música.