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A história por trás
Viento, viento, segundo o DoReSol
Vento, vento não é apenas mais uma canção no repertório de Atahualpa Yupanqui; soa como um sussurro que se transforma em rugido sem jamais perder a elegância. A guitarra entra suave, quase tímida, mas no segundo compasso já marca um ritmo diferente de tudo o que se ouvia na época. Não é uma valsa nem um huayno, embora carregue algo de ambos: é aquele ar que percorre as planícies argentinas quando o pampero sopra forte, mas também quando permanece imóvel entre as árvores. O que mais surpreende é como Yupanqui consegue fazer a melodia soar ao mesmo tempo antiga e moderna, como se a tivesse composto ontem, mas já ressoasse há séculos em algum lugar.
A canção nasceu nos anos 50, quando o artista já havia percorrido metade do país com sua guitarra e voz, anotando em cadernos o que o vento lhe trazia das províncias. Mas foi somente em 1986, quando a França o nomeou Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres, que o mundo começou a ouvi-lo com outros ouvidos. Antes disso, Mercedes Sosa, Jorge Cafrune e até mesmo Enrique Bunbury, décadas depois, já a haviam gravado, sempre com o mesmo respeito que uma canção assim impõe — aquela que parece escrita pela própria paisagem. Não há artifício em sua estrutura: a letra avança como quem caminha por uma trilha poeirenta, e a guitarra acompanha sem chamar atenção, como se soubesse que o verdadeiro protagonista é aquele vento que nunca é nomeado, mas está em cada nota.
Do álbum
Camino del Indio
Atahualpa Yupanqui · 2004 · Track 3
Dados