A história por trás
Use It or Lose It, segundo o DoReSol
A primeira vez que a ouvi, o que mais me chamou a atenção foi aquele ritmo que oscila entre a urgência e a ironia, como se cada nota estivesse a contar uma piada mordaz. «Use It or Lose It» não soa a uma canção de rock convencional: começa com um baixo que parece ter saído de um ensaio de rua, mas de repente entrelaça-se com guitarras que soam a protesto e refrões que repetem a frase como um slogan. Há algo na forma como a bateria rufa mesmo antes da voz entrar que nos faz perceber que não estamos perante uma música qualquer. O riff principal não se mantém estático num compasso de quatro tempos; estica-se, contrai-se, como se estivesse vivo e a respirar.
Gravaram-na em 1997, no meio daquele primeiro álbum que os colocou no mapa e que acabou por ser um terramoto na cena do rock latino. Os Molotov não procuravam um som polido nem comercial: queriam que o álbum cheirasse a garage, a letras provocadoras e a música que não pede permissão. Gustavo Santaolalla e Aníbal Kerpel estiveram aos comandos, e embora o álbum tenha acabado por ser nomeado para um Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Rock Latino Alternativo em 1998, o que mais ficou no ar foi aquela mistura de raiva e humor que percorre cada canção. «Use It or Lose It» tem uma duração de 4:22, mas nesses minutos cabem mais ideias do que em muitas canções de três minutos e meio. Não é apenas uma faixa de abertura: é o golpe que avisa que o que se segue não vai ser fácil de esquecer.
Do álbum
¿Dónde jugarán las niñas?
Molotov · 1997 · Track 8
Dados
Créditos
Música Randy Ebright