A história por trás
Molotov Coktail Party, segundo o DoReSol
A canção «Molotov Coktail Party» abre o álbum «¿Dónde jugarán las niñas?» com um golpe seco: a bateria rufa num ritmo que mais parece um chicotada do que uma batida. O baixo entra com uma linha que não fica parada, como se estivesse prestes a saltar, e a guitarra enrosca-se num riff que soa a protesto disfarçado de festa. Não é por acaso que esta faixa abre o álbum: esse caos controlado reflete o tom de todo o disco, onde cada instrumento parece estar a discutir entre si, enquanto a voz de Molotov lança frases cortantes que não dão trégua. A mistura de sons distorcidos, refrões cativantes e letras que não pedem permissão para falar do que ninguém quer mencionar confere-lhe um ar de urgência, como se a canção estivesse prestes a explodir — e, de certa forma, é mesmo assim.
Gravada em 1997 com Gustavo Santaolalla e Aníbal Kerpel ao leme, a faixa surgiu numa altura em que o rock mexicano procurava romper com tudo o que soasse a fórmula. A canção não só foi o primeiro single do álbum, como acabou por se tornar uma das mais conhecidas da banda, mesmo antes de o álbum ter um nome. O curioso é que, apesar do alvoroço que gerou — desde vendas até a polêmicas em torno da capa —, a canção nunca pretendeu ser um hino. Simplesmente soou como aquilo que era: uma explosão de energia crua, sem filtros, que acabou por ser impossível de ignorar. Em 1998, o álbum recebeu uma nomeação nos Latin Grammys na categoria de Melhor Álbum de Rock Latino Alternativo, mas o verdadeiro prémio foi ter ficado na memória de quem a ouviu pela primeira vez e sentiu que, por alguns minutos, o mundo podia girar ao ritmo daquele caos.
Do álbum
¿Dónde jugarán las niñas?
Molotov · 1997 · Track 2
Dados