A história por trás
The End of a Love Affair, segundo o DoReSol
Há canções que parecem escritas para serem cantadas com a voz quebrada de Billie Holiday, e The End of a Love Affair é uma delas. Não é apenas uma melodia: é o som de alguém que sabe que o que se acaba não voltará. Gravada em 1958, quando o jazz já não era o centro de sua vida, mas sua garganta continuava sendo um instrumento de verdade, esta faixa soa como um sussurro que se quebra no momento certo. A produção, sob responsabilidade de Irving Townsend, deu-lhe espaço para respirar entre as notas, como se cada respiração fizesse parte da letra. O resultado é um disco que não soa como estúdio, mas como um quarto vazio onde alguém canta para não se afogar no silêncio.A canção nasceu em um momento complicado para Billie.
Depois de anos sob a proteção de Norman Granz e sua gravadora Clef Records —que mais tarde se tornaria Verve Records—, em 1956 já estava contratada pela Columbia Records. O álbum Lady in Satin, onde foi registrada, foi um dos últimos que completou em vida. Naquela altura, sua voz já não era a mesma dos primeiros anos, mas em The End of a Love Affair não há impostura: só há uma mulher que sabe que o amor que se vai deixa cicatrizes que nem o tempo apaga. Durava quase cinco minutos, tempo suficiente para que cada sílaba caísse como uma gota d’água em uma poça parada.
Do álbum
Lady in Satin
Billie Holiday · 1958 · Track 12
Dados
Créditos
Letra Edward Redding
Música Edward Redding