A história por trás
Sono triste, segundo o DoReSol
Sono triste soa como aqueles domingos de manhã em que a voz de Ornella Vanoni escapa pela rádio enquanto o café esfria. Não é uma canção que se ouça de fundo: exige atenção, agarra-se à melodia como um abraço e não solta até o último acorde. O que a torna especial não é só o seu ritmo — aquele balanço que parece caminhar entre a valsa e o pop da época — mas como a letra se enreda com a música. Há algo na forma como Ornella a canta que faz a tristeza soar menos como derrota e mais como um território conhecido, como se todos já tivéssemos passado por ali.
Gravou-se em 1970, dentro de um álbum que reunia canções soltas e sucessos anteriores. Appuntamento con Ornella Vanoni não pretendia ser um disco de estúdio comum: era antes um *collage* do que já havia ressoado na rádio, nos festivais, nos programas de televisão. Sono triste chegou ali como parte desse jogo de peças soltas, mas com um detalhe curioso: Ornella já a havia apresentado antes no Canzonissima 1968, onde a canção já havia deixado a sua marca. Não era nova, mas tampouco antiga: era daquelas melodias que ficam grudadas e que, ao se reunirem num mesmo disco, ganhavam um novo sentido. O álbum, aliás, chegou ao quinto lugar em vendas, algo que naquela época não era comum para um disco que misturava tanto material reciclado.
Do álbum
Appuntamento con Ornella Vanoni
Ornella Vanoni · 1970 · Track 4
Dados