A história por trás
Savior, segundo o DoReSol
Savior soa como um suspiro contido entre o funk cru e a confissão íntima. Não é apenas mais uma faixa dos Red Hot Chili Peppers em Californication; carrega aquela tensão entre o ritmo que lateja e as palavras que pesam. O baixo de Flea e a bateria de Chad Smith esculpem um groove que se move como se estivesse agarrando algo que não quer soltar, enquanto a guitarra de John Frusciante se enreda em melodias que parecem se desmanchar e se recompor no ar. A canção não pede desculpas pelo que diz, tampouco grita. Antes, sussurra com a mesma força com que atinge.
Por trás daqueles quatro minutos e tanto há uma história que Anthony Kiedis não guardou em uma gaveta. Ele a escreveu pensando no pai, Blackie Dammett, o homem que o levou de Michigan a Hollywood quando tinha doze anos e, sem querer, o expôs a um mundo onde drogas e sexo chegaram antes da adolescência. Kiedis conta isso em Scar Tissue: sua infância foi um escorregador de excessos que o marcou para sempre. Mas em Savior há uma reviravolta. As linhas *"No one here is to blame for"* e *"Just like you cause you made me all that I am"* não soam como recriminação, e sim como algo mais complexo: um reconhecimento. Quando Californication foi lançado em 1999, Kiedis já havia reconstruído aquele vínculo, e a canção o reflete. Não é uma música sobre redenção, mas sobre como as feridas podem se tornar parte do que se é.
Do álbum
Californication
Red Hot Chili Peppers · 2000 · Track 12
Dados
Créditos
Música Anthony Kiedis, Chad Smith, Flea, John Frusciante