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Dynamo

por Soda Stereo · Álbum Dynamo

Primavera 0

Duração 3:39

Acordes em preparação

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Do álbum

Dynamo

Dynamo

Soda Stereo · 1992 · Track 4

Dados

Duración3:41
ÁlbumDynamo
Año1992
ISRCARFSB0700945

A história por trás

O primeiro riff de guitarra em Primavera 0 não soa como um início, mas como um aviso: algo está prestes a acontecer de forma diferente. Esse riff distorcido, cortando o ar com um golpe seco de palheta, não é apenas um gancho melódico, mas a assinatura de uma mudança. O Soda Stereo vinha de Canción Animal com um som que já era hino na América Latina, mas aqui a banda decide desmontar essa fórmula. A distorção não é decorativa: carrega ecos do noise rock do Sonic Youth, mas também aquele "esmagamento" do hard rock que o Cerati sempre carregou sob a pele. O mais curioso é que a canção não respira: o baixo do Zeta Bosio e a bateria do Charly Alberti entram ao mesmo tempo que a voz, sem transição, e o riff retorna no final como um lembrete de que isso não é um tema qualquer. Até o fim da canção, não há espaço para pausas.

A gravação no Estudio Supersónico em Buenos Aires durante 1992 foi um experimento em tempo real. O álbum Dynamo —lançado em outubro daquele ano em Cassette pela Sony Music Latin— chegou justamente quando a banda mudava de gravadora, o que complicou sua difusão. O público não estava preparado para um som que abandonava o rock direto de Canción Animal por camadas de shoegaze e distorções que beiravam o abrasivo. Primavera 0 acabou sendo uma das poucas canções do disco que sobreviveu ao ceticismo inicial: em 2006, a revista Al Borde a colocou na 422ª posição das 500 melhores do rock ibero-americano, e desde então se tornou presença constante em quase todos os shows da banda, inclusive na Gira me verás volver de 2007. O vídeo, dirigido por Boy Olmi, não mostra uma montagem, mas sim os bastidores da gravação: Cerati, Bosio e Alberti tocando juntos, sem truques, como se a música tivesse nascido naquele exato instante. Curiosamente, na Gira Dynamo e no El último concierto de 1997, a canção se ligava sem pausa a En remolinos, usando o mesmo riff distorcido como ponte. Hoje, ao ouvi-la, não é difícil entender por que resistiu ao tempo: não é uma canção que se toca, é uma que se sente no corpo.