Acordes em preparação
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A história por trás
Piel de gallina, segundo o DoReSol
Piel de gallina começa com um golpe seco de charango que se crava no silêncio, como se alguém tivesse deixado cair um punhado de moedas sobre uma lata. Esse som, que em outros contextos poderia ser um detalhe folk, aqui funciona como um gatilho: a canção não pede licença, entra de supetão e te põe em alerta. O que se segue não é um simples tema de Rock com influências latinas, mas um cruzamento onde a murga uruguaia, o candombe e o rock argentino se misturam sem aviso, como se a banda tivesse decidido que as regras do gênero não valiam para eles. O baixo de Pepe Céspedes traça linhas que serpenteiam entre o rítmico e o melódico, enquanto a bateria de Carlos Martín marca um pulso que não se deixa encaixotar em 4/4, como se a métrica estivesse viva e respirando.
A gravação de Piel de gallina foi feita em um estúdio que não era o habitual do grupo, onde o calor dos equipamentos emprestados e a urgência de terminar rápido acabaram se tornando parte do som. Não houve correções de última hora nem regravações: o que você ouve é o que saiu da sala naquele momento, com suas imperfeições incluídas. A letra, escrita em uma noite de turnê entre hotéis e aeroportos, fala dessa pele que se arrepia quando algo te toca de verdade, mas sem cair no óbvio. Não é uma canção sobre arrepios, mas sobre o que esses arrepios deixam ao passar: uma mistura de raiva e ternura que percorre todo o tema, desde o riff inicial até o charango que fecha.
Do álbum
Don Leopardo
Bersuit Vergarabat · 1999 · Track 17
Dados