Acordes em preparação
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A história por trás
O velho e a flor, segundo o DoReSol
A primeira vez que ouvi O velho e a flor, o que ficou gravado não foi o ritmo nem a melodia, mas aquela imagem do velho que caminha com uma rosa na mão. Não é uma canção que convide a dançar, mas a ficar parado por um momento e pensar no que diz: "É o espinho que não se vê em cada flor. É a vida quando chega sangrando". São versos que soam como verdade porque não prometem respostas fáceis, mas mostram o amor como algo que dói antes de ser compreendido. O velho da história buscava uma explicação durante anos, até que um dia cruzou com outro ancião que carregava uma rosa e lhe bastou olhá-la para saber. Não há grandiloquência na letra, apenas a crueza de quem já não espera nada e, de repente, o encontra.
Gravou-se em 1971 para o disco Toquinho & Vinícius, mas por trás dessa versão há uma história que vai além dos créditos. Toquinho, que então tinha vinte e cinco anos, fazia pouco tempo que tocava com Vinícius de Moraes — uma parceria que duraria onze anos e daria mais de cem canções. O disco foi feito em uma sessão rápida, sem pretensões de perfeição, como se o tempo apertasse. Vinícius, já um poeta reconhecido, pôs voz às suas próprias palavras com aquela mistura de ironia e ternura que o caracterizava. A canção, com seus pouco mais de dois minutos de duração, não busca se alongar: entra direto no tema e vai embora antes que você perceba. Quando terminou de gravar, ninguém imaginava que, quarenta e sete anos depois, em 2018, ela soaria na telenovela Espelho da Vida, como parte de sua trilha sonora.
Do álbum
O poeta e o violão
Toquinho · 1975 · Track 13
Dados