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Do álbum
El jardín de los presentes
Invisible · 1976 · Track 2
Dados
A história por trás
A canção Los libros de la buena memoria de Invisible não é apenas mais uma faixa no cancioneiro de Luis Alberto Spinetta: sua atmosfera aquática, onde as guitarras —tanto acústicas quanto elétricas— se distorcem entre pratos e um bandoneón que aparece pela primeira vez no disco, a torna uma peça única dentro do rock argentino. A harmonia base, com acordes simples mas eficazes (mi menor 7, lá menor 7, si menor 7 e dó maior 7), confere-lhe um peso melódico que contrasta com a densidade lírica da letra, repleta de símbolos que Spinetta definiu como "uma simbologia do amor". O bandoneón de Juan José Mosalini, que surge aqui pela primeira vez no álbum, traz esse ar tangueiro que percorre todo El jardín de los presentes, o terceiro disco da banda e o último em sua formação como quarteto.
Gravada em 1976 nos estúdios CBS de Buenos Aires, a canção foi composta no primeiro semestre daquele ano, um momento político conturbado na Argentina após o golpe de Estado de 24 de março que instaurou a ditadura autodenominada Proceso de Reorganización Nacional. A memória, como tema central, entrelaça-se com a letra: não só pelo título, mas também pelas referências a Jorge Luis Borges (diretor da Biblioteca Nacional) e a Funes el memorioso, um de seus contos mais conhecidos. Ainda naquele ano, Patricia, companheira de Spinetta, engravidou de seu primeiro filho, Dante, que nasceu em dezembro. A banda, que havia começado como trio em 1973 com Spinetta, Pomo Lorenzo e Machi Rufino, incorporou Tomás Gubitsch em 1976, uma mudança que alterou seu som —mais próximo do tango— e que, junto a tensões internas, levaria à sua dissolução no início de 1977. Em 2012, a Biblioteca Nacional da Argentina dedicou uma exposição à obra de Spinetta intitulada Los libros de la buena memoria, reforçando o vínculo entre a canção e seu universo literário.