Início · Músicas · Billie Holiday · Glad to Be Unhappy
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Do álbum
Lady in Satin
Billie Holiday · 1958 · Track 10
Dados
A história por trás
Billie Holiday canta a contradição com um sorriso que não engana. Em Glad to Be Unhappy, a voz rouca e dilacerada de Billie —essa Lady Day que transformou a dor em arte— oscila entre a ironia e a sinceridade mais crua. Não há aqui um lamento convencional: a canção brinca com a ideia de encontrar consolo na infelicidade, como se o sofrimento fosse um refúgio inesperado. Gravado numa época em que sua saúde já estava deteriorada, o tema soa como uma confissão tardia, aquele momento em que a artista já não se esconde atrás de máscaras. A melodia, simples mas eficaz, sustenta-se num andamento pausado que deixa cada palavra respirar, como se cada sílaba fosse um suspiro.
Esse tema chegou ao disco Lady in Satin em 1958, uma de suas últimas obras de estúdio antes de sua morte no ano seguinte. Produzido por Irving Townsend e com engenharia de som de Fred Plaut, o álbum marcou o retorno de Billie aos estúdios da Columbia Records após anos sob o guarda-chuva de Norman Granz e seu selo Clef, que mais tarde se integraria à Verve Records. A gravação, com pouco mais de quatro minutos, captura uma intimidade que poucos álbuns da época conseguiram: sem enfeites desnecessários, apenas sua voz e o acompanhamento justo para que a mensagem não se perca. O fato de ser um de seus últimos registros em vida lhe confere um peso distinto, como se cada nota fosse um adeus disfarçado de canção.