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Do álbum
Elis
Elis Regina · 1972
Dados
A história por trás
O que mais salta à vista ao ouvir «Estatuinha» é a sua brevidade: em dois minutos e vinte e cinco segundos, Elis Regina Carvalho Costa — Elis Regina — consegue condensar uma intensidade que raramente se encontra em peças tão compactas. Não há espaço para floreados; a canção avança com uma urgência que parece escapar da partitura, como se cada nota tivesse de dizer algo antes que o tempo acabasse. A voz de Elis, sempre reconhecível por aquele vibrato que oscila entre o controlado e o desenfreado, torna-se aqui quase um sussurro nos versos iniciais, para depois abrir-se num clímax que se interrompe abruptamente, deixando apenas o eco do que poderia ter sido.
Gravada no Brasil no início dos anos 80, «Estatuinha» faz parte daquele punhado de canções que Elis deixou antes da sua morte, em 1982. Não há registos de que ela tenha procurado um som específico para esta canção, mas o resultado soa a algo que já não se repetiria: uma mistura de melancolia contida e força expressiva, onde a letra — breve e direta — assenta mais na interpretação do que nas palavras. O facto de durar pouco mais de dois minutos não é por acaso; nesse intervalo, Elis consegue o que muitos tentam em peças mais longas: dizer exatamente o que é necessário.