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Doolittle

por Pixies · Álbum Doolittle

Crackity Jones

Duração 1:24

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Do álbum

Doolittle

Doolittle

Pixies · 1989 · Track 9

Dados

Duración1:24
ÁlbumDoolittle
Año1989
ISRCGBAFL8900013

A história por trás

A canção Crackity Jones dos Pixies começa com um golpe seco de guitarra que não dá tempo de respirar: em apenas 84 segundos, Black Francis te joga no caos de um quarto compartilhado em Porto Rico, onde o tempo parece se esticar como chiclete. O riff inicial, repetido com fúria de *downstrokes*, soa como punk acelerado, mas no segundo 38 tudo se descontrola: o ritmo fica ainda mais frenético e a voz de Francis se quebra num grito final que fecha a canção como um batente. Há algo deliberadamente desconfortável nesse final, como se o narrador não pudesse — ou não quisesse — aguentar mais.

A letra nasceu de uma experiência real: durante uma intercâmbio estudantil em San Juan, Francis dividiu apartamento com um colega que, segundo suas próprias palavras, "falava com vozes na cabeça" e até mencionava Fred Flintstone no meio de suas divagações. O compositor demorou um mês para conhecê-lo porque o cara não aparecia, e quando finalmente o fez, a convivência se tornou um pesadelo de gritos e paranoias. Essa tensão se infiltra na música, onde o som da guitarra — com seus acordes em G# e A sobre um pedal de C# — lhe dá um ar quase espanhol, como se o ar úmido da ilha se infiltrasse em cada nota. Gravada entre outubro e novembro de 1988 em Boston, com Gil Norton na produção, a canção acabou sendo a mais curta e rápida de Doolittle, o segundo disco da banda. Não era um experimento: era a forma como os Pixies transformavam o cotidiano em algo que soava como um pesadelo surrealista.