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Oktubre

por Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota · Álbum Oktubre

Canción para naufragios

Acordes em preparação

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A história por trás

Canción para naufragios soa como uma viagem de navio naufragando, mas não no mar: na própria terra. A guitarra de Skay Beilinson traça um riff que oscila entre o hipnótico e o descontrolado, como ondas que nunca terminam de quebrar. A voz de Carlos Alberto Indio Solari flutua sobre esse vaivém com frases cortadas, quase sussurradas, deixando a sensação de que algo grande está por vir — ou já aconteceu. Há um saxofone que surge ao fundo, como um farol na neblina, e uma bateria que acerta com uma precisão que não perdoa. Não é uma canção que convide a dançar: é uma que te arrasta para um lugar onde o chão se move sob os pés.Gravada em 1986, em meio a um ano que, para Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota, foi um salto no escuro. Vindos de Gulp!, seu disco anterior, em Oktubre decidiram mudar de rumo: misturaram o new wave com o post-punk, deram um ar distópico às letras e usaram metáforas que falavam de revoluções, guerras frias e de um país que acabava de sair de uma ditadura. A arte da capa, de Rocambole, reflete essa ideia: uma homenagem às lutas que se repetem no tempo, como se a história fosse um navio que nunca para de naufragar. A canção em si dura seis minutos e um segundo, tempo suficiente para a tensão crescer e se soltar sem aviso. Não há correções de estúdio nem arranjos polidos: o que se ouve é o que restou na fita, cru e sem filtros.