A história por trás
Berghain, segundo o DoReSol
A canção Berghain começa com um sussurro em alemão que se dissipa antes da voz de Rosalía emergir, limpa e contida, sobre uma base orquestral que lembra os arcos de um violino clássico. Há algo ritualístico em como a melodia se expande, como se cada nota estivesse medindo o espaço entre o sagrado e o profano. A letra, em espanhol e inglês, flui com uma intimidade que contrasta com a grandiosidade do arranjo, e quando Björk e Yves Tumor se juntam no final, a canção adentra um território onde o desejo e a devoção se entrelaçam. A repetição de Yves Tumor de "I'll fuck you till you love me" não é um choque gratuito, mas a culminação de uma tensão que já vinha se construindo desde o primeiro acorde.
Gravada em Londres com a Orquestra Sinfônica de Londres, a canção se afasta do experimentalismo de Motomami (2022) para abraçar um som mais etéreo, quase litúrgico. O título não é casual: faz referência ao clube berlinense conhecido por sua atmosfera hermética e quase religiosa, um lugar onde o divino e o carnal se tocam. O videoclipe, filmado em Varsóvia, reforça essa ideia: Rosalía aparece entre cenários cotidianos — um hospital, um apartamento — que se transformam em paisagens oníricas, culminando com uma imagem em que a artista parece se tornar uma pomba. A produção, sob responsabilidade de Noah Goldstein, Sir Dylan e Jake Miller, mistura camadas de cordas com eletrônica sutil, enquanto a mixagem, assinada por Manny Marroquin e sua equipe, equilibra a opulência orquestral com a crueza das vozes.
Do álbum
LUX
ROSALÍA · 2025 · Track 6
Dados
Créditos
Letra ROSALÍA
Música Sir Dylan, ROSALÍA, Noah Goldstein, Jake Miller, Björk