A história por trás
Beautiful Delilah, segundo o DoReSol
A primeira vez que ouvi «Beautiful Delilah», fiquei com a sensação de que era uma daquelas canções que não pede permissão para soar como se sempre tivesse existido. Com apenas dois minutos e oito segundos, a canção desenrola-se num ritmo direto, sem adornos, onde a guitarra de Dave Davies marca o ritmo com um som cru que lembra o rock mais elementar da época. Não há preenchimentos desnecessários: a voz de Ray Davies avança sobre uma base minimalista, quase como se estivesse a contar um segredo pela metade, enquanto o baixo e a bateria mantêm o ritmo sem chamar a atenção. É aquele tipo de peça que, se tocada com um grupo de amigos numa garagem, soa tão natural como no estúdio.
Gravada em 1964 como parte do álbum de estreia dos The Kinks, «Beautiful Delilah» apareceu no disco homónimo que, na sua versão original para o Reino Unido, incluía onze faixas. Nos Estados Unidos, no entanto, o lançamento foi reduzido a oito canções e rebatizado como «You Really Got Me», a canção que os tinha catapultado para a fama nesse mesmo ano. O produtor Shel Talmy esteve à frente das sessões, um pormenor que explica aquele som limpo, mas com corpo, típico das produções da época, em que o ênfase recaía nas interpretações ao vivo, mais do que nos arranjos sobrecarregados. A canção, escrita por Ray Davies, faz parte desse punhado de temas que, sem serem simples, acabaram por definir o estilo inicial da banda: guitarras cortantes, letras simples e uma energia que não precisava de mais do que um par de takes para ser gravada.
Do álbum
Kinks
The Kinks · 1964
Dados
Créditos
Letra Chuck Berry
Música Chuck Berry