Acordes em preparação
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A história por trás
Baby, Won’t You Please Come Home, segundo o DoReSol
Esta canção é daquelas que se cravam no peito sem avisar. Baby, Won’t You Please Come Home não é um tema que chame a atenção pelo ritmo ou por algum solo chamativo, mas pela forma como Billie Holiday o canta: com uma voz que soa cansada, mas firme, como se cada palavra saísse após uma longa viagem. A letra não pede nada complicado: apenas que alguém volte, que não se afaste para sempre. Mas aí está o detalhe: essa simplicidade é enganosa. Quando Billie a interpreta, o pedido se torna íntimo, quase como se ela estivesse falando consigo mesma em voz alta. Não há dramatismo exagerado, apenas uma honestidade que te deixa sem fôlego.
Gravou-a em 1958, nos estúdios da Columbia Records, como parte de um álbum que seria o penúltimo de sua carreira: Lady in Satin. Na época, Billie já tinha décadas no jazz, mas este disco foi diferente. Não era o som fresco de seus primeiros anos com Teddy Wilson ou as combinações de Norman Granz, mas algo mais sombrio, mais próximo do que ela mesma vivia. O engenheiro Fred Plaut e o produtor Irving Townsend deixaram sua voz se expandir sem retoques, como se o microfone estivesse bem onde ela estava, sem filtros. Durava pouco mais de três minutos, mas, nesse tempo, cabem mais emoções do que em muitas canções três vezes maiores.
Do álbum
Lady in Satin
Billie Holiday · 1958 · Track 12
Dados
Créditos
Música Charles Warfield, Clarence Williams