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A Love Supreme

por John Coltrane · Álbum A Love Supreme

A Love Supreme, Part 3: Pursuance / A Love Supreme, Part 4: Psalm

Duração 17:51

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Do álbum

A Love Supreme

A Love Supreme

John Coltrane · 1965 · Track 3

Dados

Duración17:51
ÁlbumA Love Supreme
Año1965

A história por trás

Há canções que não se ouvem, vivem-se. A Love Supreme é uma delas. As duas peças que fecham este disco —Pursuance e Psalm— não são apenas temas musicais: são uma viagem em dois atos onde o saxofone de John Coltrane se torna voz, prece, respiração. Pursuance começa com um ritmo que parece perseguir algo, como se cada nota fosse um passo mais perto do que já não pode ser nomeado. O baixo de Jimmy Garrison e a bateria de Elvin Jones tecem uma rede que não solta, enquanto McCoy Tyner ao piano desenha acordes que sobem e descem como ondas. Não é jazz de notas soltas: é um diálogo onde cada instrumento responde, se enreda, se perde e volta a encontrar o caminho. A segunda parte, Psalm, muda o ritmo para algo mais próximo do êxtase. Coltrane toca como se estivesse lendo um texto sagrado em voz alta, fraseando cada sílaba com uma precisão que dói. Não há adornos aqui: apenas a música como ato de fé, como se o saxofone fosse um microfone diante do divino.

Gravado em um único dia —9 de dezembro de 1964— nos estúdios Van Gelder em Englewood Cliffs, Nova Jérsei, este disco nasceu da urgência. Coltrane vinha explorando o som há anos, mas A Love Supreme foi diferente: não buscava apenas inovar, queria capturar algo que já sentia dentro de si. O quarteto que o acompanhava —Tyner, Garrison e Jones— já havia trabalhado junto, mas aqui tudo se encaixou como nunca. O álbum foi lançado em janeiro de 1965 pela gravadora Impulse! e, sem que ninguém esperasse, tornou-se um fenômeno. Não demorou para receber uma indicação ao Grammy como melhor álbum de jazz instrumental em 1966, mas o verdadeiro prêmio foi outro: a sensação de que, ao ouvi-lo, algo no ouvinte mudava para sempre. Coltrane faleceu em 1967, mas A Love Supreme continua intacto, como uma ponte entre o humano e o eterno.