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Zocca, Itália · 1952 — presente

Vasco Rossi

Se há algo que define Vasco Rossi é essa mistura de voz rouca e melodias que soam como uma vida vivida sem filtros. Não é o típico cantor-compositor que se esconde atrás de letras polidas: suas canções respiram a desordem, a rebeldia e essa honestidade que só vem de quem já passou por tudo. Desde o início, seu som se afastou dos clichês do rock italiano dos anos 70. Não queria soar como os outros; queria que cada nota carregasse o peso do que sentia, mesmo que isso o levasse a chocar com rádios, programas de televisão ou até mesmo com a lei. Gravou seu primeiro single em 1977, mas só no final dos anos 70 Albachiara —essa balada ao mesmo tempo terna e dilacerante— se tornou um hino inesperado. Não era uma canção para cantar em coro, mas para cantarolar baixinho quando a noite se alonga e as palavras sobram.

Os primeiros anos da década de 80 foram o momento em que Vasco deixou de ser um nome conhecido apenas na Emilia-Romagna para se tornar um símbolo. Bollicine, de 1983, foi o disco que o consagrou, mas o caminho não foi fácil. Antes disso, ele havia passado pelo escândalo de Colpa d'Alfredo, censurada por usar palavras que na época eram tabu, e por uma prisão em 1984 por posse de drogas, o que só alimentou sua lenda. Sua participação no Festival de Sanremo, onde chegou em último lugar com Vado al massimo em 1982, foi outro golpe de efeito: não venceu, mas as pessoas guardaram seu nome. O que ele buscava não era ganhar concursos, mas conquistar almas. E conseguiu isso com canções que soavam como confissões, gritos no meio de um show ou silêncios constrangedores entre um verso e outro.

1 Álbuns
8 Músicas
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1 álbum · 1983

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Biografia

Para além dos números —e Vasco tem números que impressionam: mais de 40 milhões de discos vendidos, 33 primeiros lugares na Itália, recordes de público em seus shows— o que importa é como sua música se infiltrou na vida das pessoas. Siamo solo noi (1981) não era apenas um título, mas um grito geracional. Vita spericolata (1983) não era um conselho, mas um estilo de vida. E embora a mídia o pintasse como o roqueiro bêbado e problemático, ele continuava compondo em quartos de hotel ou nos intervalos das turnês, com a mesma urgência com que vivia. Em 2017, no Modena Park, reuniu 225.173 pessoas: um recorde mundial para um artista solo. Mas o mais curioso é que, décadas depois, continua sendo o mesmo cara que começou tocando em rádios livres e que, sem querer, acabou definindo o que significa ser italiano e rebelde ao mesmo tempo. Sua voz, rouca e sem concessões, é a trilha sonora daqueles que preferem viver no limite a se conformar.

Dados

Nascimento
7 fev 1952
País
🇮🇹 Itália
Gênero
Rock